02 março 2008

Amores da infância

Este blog ainda não é conhecido, não divulguei o endereço dele para ninguém. Até que tentei, mas minha internet estava lenta demais e acabei desistindo. Então, por enquanto, escrevo para mim mesma.
Não me deixa triste o fato de ninguém ter lido o que escrevi aqui. Pois acredito que, futuramente, algumas pessoas lerão minhas singelas palavras, e isso é o que me anima, porque se eu de fato não quisesse que ninguém lesse o que aqui redijo, utilizaria um diário de papel com cadeado embutido. E isso, por sinal, eu já faço, desde os 9 anos de idade, mais ou menos. Hoje em dia meu diário é um caderno grande, não tem segredo algum para abri-lo, basta virar as páginas e ler. Não conto grandes segredos, estes eu guardo na memória.
Algumas coisas mais pessoais relato por metáforas que só eu seria capaz de entender, só não sei por quanto tempo. Talvez, daqui a uns 15 anos, eu encontre esse caderno e leia as seguintes palavras: "Hoje o céu escureceu e um anjo das trevas contou-me o que eu deveria ouvir, embora não quisesse" - e não compreenda o contexto disso tudo. Hoje faz algum sentido, amanhã tudo pode ser diferente.
E por falar em como as coisas mudam, posso relatar o que ocorreu enquanto revirava minhas velharias e encontrei um diário muuuito antigo, de quando eu cursava a 5ª série. Recordei um fato muito engraçado: A cada mês que se passava eu gostava de um garoto diferente!
Escrevia o nome do menino do momento em letras garrafais. Fazia poesias para ele, planejava mil coisas, nossa, eu realmente me iludia rápido!
Daí, ao virar a página (eu ñ escrevia diariamente, então, se passavam algumas semanas até eu voltar a escrever de novo), já encontrava uma nova declaração de que o menino era um retardado, me enchia o saco, era burro, coisas do tipo. E então, pra complementar, o comparava com um outro, muuuito melhor que o anterior. "Aquele sim valia a pena!" E por aí vão minhas 'aventuras amorosas' que nunca saiam do papel.
Eu era muito tímida, quando chegava perto de algum menino interessante ficava toda envergonhada.
Lembro-me de uma vez em que era apaixonada por um guri que tinha um irmão gêmeo. Eram lindos os garotinhos - loiros, olhos verdes, cabelo grandinho e tudo mais. A única diferença entre os dois era um sinal que um deles possuía no rosto. Eu vivia sonhando com o tal menino, que não tinha o dito sinal. Eles iam lá pra minha casa, em São Paulo, para irmos juntos à escola - a mãe deles era amiga da minha mãe. Certa vez, enquanto nossas mães estavam conversando distraidamente, "meu amado" (agora não recordo como ele descobriu que eu gostava dele) quis me dar um beijo. E quando ele veio na minha direção, eu saí correndo. Então ele foi correndo atrás. Daí, com o coração acelerado, resolvi entrar no banheiro. Ele ia entrando também, mas empurrei a porta e a tranquei. Ele ainda ficou batendo nela, mas eu nem respondia, tamanho era meu estado de choque. Por sua vez, ele perguntou se eu não gostava mais dele. E, de súbito, respondi que não. E pedi para ele sair da frente da porta. Aliás, não pedi, ordenei. Minha mãe escutou a gritaria, e veio ver o que estava ocorrendo. Ele inventou uma desculpa qualquer e, pouco tempo depois, fomos à escola. A partir daí, não lembro mais o que aconteceu. Só sei que não vi mais com tanta freqüência esses gêmeos... Talvez o meu ex-amado tenha ficado com muita vergonha ou com raiva de mim, e pedira para a sua mãe não ir mais comigo. Ou o contrário... O que acho até mais provável.
Quem nunca passou por algo assim, né? Isso me marcou... E hoje estou meio nostálgica, sabe? De vez em quando fico com uma saudade dessa época. Penso que poderia ter feito diferente naquela ocasião. Não o teria beijado, óbvio, era apenas uma criança. Mas não me afastaria dos gêmeos. Eles eram legais, de verdade. Gostaria de encontrá-los novamente. Saber como estão, o que fazem da vida... Eles tinham um irmão mais novo, de cabelo e olhos castanhos. Esse é que tinha a minha idade, eu acho. Os gêmeos eram uns dois anos mais velhos que eu.
Hoje não me apaixono mais com tanta facilidade - e se pudesse, seria ainda mais difícil me apaixonar. E eu não fugiria do loirinho, caso gostasse mesmo dele ^^'. Se bem que essa situação é um tanto quanto impossível de imaginar, hoje em dia. Afinal, já basta um olhar para as pessoas estarem se beijando... ¬¬' Os homens já não se esforçam para conquistar quem quer que seja. Perdeu a graça, né? :T

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