06 novembro 2008

Aquele se tornou um dia comum...


(continuação do conto Aquele não era um dia comum)


Os dias se passaram monótonos. Nenhum acontecimento o fazia esquecer-se daquele beijo. O único beijo.

Ela também estava confusa. Por que correra daquele jeito? Ainda se perguntava, mas não conseguia explicar. Resolveu marcar um novo encontro com ele. Dessa vez faria diferente, não iria fugir.
Planejou durante dias, mas a coragem nunca a ajudava. Como falar com ele?, agora os dois pareciam estranhos - que tinham um segredo em comum, isso é verdade. Mas ninguém poderia imaginar o rumo dos acontecimentos.

Semanas e semanas se passaram. Ele faltava às aulas. Estaria doente?

Semanas e semanas corriam, e nenhum momento parecia o ideal.

Ela deveria escrever um e-mail? Mandar uma carta por alguém? Combinar um outro encontro? Ela não sabia o que fazer, definitivamente, tudo já havia se perdido nas linhas do tempo, e agora só restava uma lembrança.

...


Ele apareceu sorrindo, falando ao celular com empolgação. Sussurrava palavras doces para alguém - quem seria?
Ela pôde ouvir algo: Você vai passar aqui hoje? 20h20? Então vou te esperar.... Não conseguiu ouvir mais.

Optou por um caminho não muito ortodoxo: Segui-lo.



20h15 o viu passando em direção ao refeitório - o mesmo refeitório de outrora.



Enquanto ele fazia um pedido na cantina, ela fingia ler algo, super compenetrada. Ele passou por ela e nem a notou. Bom sinal, ela estava bem camuflada. Bom sinal? Ele não a viu! Isso talvez não fosse tão bom...

Uma nova espiada no refeitório, e voilà! Eis que uma garota de cabelos claros se encaminha em direção a ele, de braços abertos - vai abraçá-lo.

O sorriso que ele abre é ainda mais belo;
A intensidade com que se abraçam é ainda mais forte;

O beijo que compartilham é ainda mais verdadeiro;
Eles se gostam mesmo.


É tudo mais real, tudo mais certo - do que aquilo que um dia ele demonstrou sentir por quem o observa.
O celular vibra duas vezes. É uma mensagem de texto de alguém que mora longe, mas que pensa nela. Um antigo, mas nunca esquecido, amor. De repente, as coisas começam a fazer sentido. Não havia razão para lamentos, afinal, era isso que deveria acontecer mesmo.

Ele
merecia um amor pleno.

Ela
merecia esperar mais.

2 comentários:

anjo_aprendiz disse...

Nossa essa continuação foi profunda...

Acho que voce seria mesmo uma boa escritora...

^^

Bruno disse...

Concordo com o comentário anterior.

Como já dizia Shakespeare:
"What will be, will be."

Amo você,
mesmo longe assim.

E seu post me deu um aperto no coração e um nó na garganta, não sei porque.