08 dezembro 2009

Postagem extraordinária


Me ligaram há pouco do ICC chamando para ser internada. Fiquei super assustada e não entendi nada: Ué, mas eu não tinha mais uma semana e meia pela frente? Por que ligaram tão cedo assim?

Na hora fiquei meio frustrada, afinal, pelas minhas contas, eu só seria chamada dia 20 de dezembro. Porém, por esse lado, no Natal eu ainda estaria tomando quimio. E no Reveillón eu estaria tomando as injeções, o que não seria nada divertido. E agora, com esse chamado que me pegou de surpresa, pensando bem, acho até que não foi a pior coisa do mundo. Se minhas contas estiverem certas, lá pelo dia 21 eu já terei terminado outro ciclo, e nas festas de fim de ano não estarei com nenhum sintoma, nada de vômitos ou enjoos! \o/

E precisamos ser racionais, mesmo que as emoções gostem de interferir: quanto antes terminar, melhor, né?

Agora não posso mais me demorar, tenho que arrumar minha bolsa com objetos pessoais e me mandar pro ICC.

Até breve!

07 dezembro 2009

Novo tratamento

E então, pareço a Amélie Poulin?

Oi pessoal!

Antes de começar a falar sobre meu tratamento, quero dizer que estou contente por ter voltado a escrever, já que passei a sentir novamente o carinho das pessoas e também o interesse de alguns - que eu nem conheço -, o que demonstra que a humanidade não está perdida... hehe. ^^ Ainda existem os que se preocupam e se emocionam, mesmo com desconhecidos. Isso é muito bonito, e não porque é comigo, mas porque representa um afeto sincero pelo seu semelhante. 

Humm, vocês talvez pensem, a Mara hoje tá muito emotiva. Na verdade, tô mesmo. Por tempos e tempos eu não consegui contar em detalhes minha experiência de acordar durante a cirurgia e os momentos dramáticos no hospital. Eu começava a reviver tudo, e invariavelmente meus olhos ficavam marejados. Basicamente tudo na vida é superação. Estar hoje escrevendo aqui também se trata de uma legítima volta por cima, sinto-me orgulhosa de mim mesma. =D~

Agora vamos lá (isso já tá ficando muito extenso, pra variar... ¬¬).

Eu já comecei a fazer quimioterapia de novo. Terminei no dia 29 de novembro o primeiro ciclo, de um total de três.

Só que dessa vez os ciclos e os medicamentos são diferentes, tudo mais forte. 

Pra começar, as duas primeiras sessões eu faço internada na enfermaria do ICC. Minha mãe é minha acompanhante oficial (como sempre).

No primeiro dia da internação, eu só faço um exame de sangue para verificar meus leucócitos, plaquetas, essas coisas básicas. Então, no segundo dia, começo a receber a quimio, que dura 24 horas. Eu fico todo tempo com um acesso venoso ligado a uma 'bomba' que controla o tempo de gotejamento, para terminar no tempo certo. Fiquei muito sonolenta, mas lembro que aquela bomba ficava apitando de vez em quando e enchia o saco. Cada vez que eu ia ao banheiro, minha mamis tinha que me ajudar, empurrando o aparelho onde a bomba fica presa, bem pesado, por sinal. Como mágica, meu apetite foi se acabando. Só de pensar em comer eu já ficava enjoada. O almoço era uma sobra, minha mãe se esforçava para eu dar pelo menos umas três garfadas, mas era difícil. No segundo dia, recebi uma quimio de 3 horas. De noite, voltei pra casa. Como minha imunidade estava baixíssima, eles acharam melhor eu ir pra casa a fim de evitar alguma infecção. No dia seguinte, voltei ao ICC para continuar a tomar quimio, mas não fiquei por lá, não havia necessidade (e é muito melhor ficar em casa!). Repeti as idas ao ICC até completar 6 sessões. Ou seja, me internei domingo, recebi a primeira sessão na segunda; terça à noite voltei pra casa; sábado acabaram as sessões do primeiro ciclo. E posso dizer que foi um dos piores dias, porque vomitei tanto, mas tanto, que minha garganta parecia que tinha um bolo, que dificultava a deglutição, mega inflamada. Fiquei muito mal. No domingo também vomitei demais, e fui ficando tão fraca que não conseguia nem sentar. Comer era inútil, eu sabia que ia colocar tudo pra fora.

Daí, na segunda, teve início a semana de injeções de granulokine (descobri que cada injeção custa R$ 480,00!), que aumentam a imunidade e causam dor nos músculos e nos ossos como efeito colateral. Dessa vez senti muita dor na bacia, muitos pacientes também sentem essa dor. 

Foi horrível ir ao ICC na segunda, porque eu não conseguia me manter em pé. Precisei andar de cadeira de rodas, meus pais estavam desconsolados. Os médicos viram que eu tava sem condições de continuar daquele jeito e me mandaram para a intercorrência (é tipo a emergência do ICC, para os pacientes que fazem quimioterapia lá). Tomei 3 injeções: para amenizar os vômitos, os enjoos, e para me dar mais apetite. Fiquei no soro por umas 2 horas ou mais, não lembro porque adormeci. Quando despertei, já tava bem melhor. Foi então que voltei pra casa e até consegui comer um pouco. No dia seguinte, ainda vomitei de novo pela manhã, antes de ir tomar a segunda injeção do ciclo (são sete ao todo). Mas depois desse dia não vomitei mais, foi uma maravilha!! =D

Quando finalmente concluí o ciclo, no dia 29/11 (domingo), a enfermeira me falou para aproveitar o descanso de 21 dias, que antecedem o segundo ciclo. Estou nessa fase agora, desfrutando do prazer de não precisar ir ao ICC.

Quando eu terminar este processo todo, começa uma nova fase. Mas sobre isso falo depois, porque a postagem já tá grande e tenho muitos detalhes a explicar.

Obrigada a todos pelos comentários e carinhos. Até a próxima!

PS: Meu cabelo já caiu, e tô tendo efeitos semelhantes aos da outra vez, como feridas na boca, mucosite, caroçinhos no corpo etc. Na foto acima, ainda não tinha recomeçado o tratamento e estava usando uma peruca que ganhei da minha avó. ^^


04 dezembro 2009

É, voltei mesmo



Estou de volta. 
Continuarei a contar os últimos eventos. 
Do ponto onde parei, conclui as passagens sobre o processo cirúrgico. 
Mas não contei ainda o que exatamente foi feito, né?
Pois então, vamos lá.

Os tumores das regiões anexiais direita e esquerda foram removidos, bem como a metade do meu fígado e a cicatriz umbilical. Até aí, sucesso. 
No entanto, quando fizeram a laparotomia exploradora (clicando no link, vocês verão uma explicação mais detalhada do procedimento, além de algumas figuras ilustrativas), acabaram descobrindo um novo tumor, bem próximo ao pulmão - mais especificamente na cúpula diafragmática - e não puderam remover, pois os riscos não compensavam o esforço. Daí fecharam meu abdome e mais tarde contaram a notícia para minha mãe.
Ela, sempre querendo me poupar, não comentou nada. 
Mas eu não só sentia como ainda sinto muitas dores na região (o tumor está situado entre o fígado e o pulmão) e quando fico muito tempo sentada ou faço algum esforço, sinto dores agudas no local, e achava estranho, pois na cirurgia anterior não havia sentido dor semelhante. Sem mencionar que eu tive alguns sonhos e algo me dizia que estavam escondendo alguma coisa de mim. Passei a averiguar, e foi a Swu quem acabou revelando. Logo depois minha mãe contou, porque eu teria uma consulta médica e lá ele iria citar a doença residual, não daria para continuar escondendo.
Fiquei arrasada por uns dias, mas depois recuperei a confiança. Só procurava não ficar pensando nisso e me dedicava quase que exclusivamente a jogar videogame (meu irmão me deu um Playstation 2). Nessa época compraram pra mim mais de 100 reais de jogos, e eu ficava o dia inteiro jogando Guitar Hero ou Kya - Dark Lineage. Fiquei muito viciada mesmo! xD
Finalizei vários jogos e agora eu mesma os baixo da internet, minha coleção de games tá imensa, tenho mó orgulho disso u_u. Hehehe.
Foi ótimo ter com o que passar meu tempo, os dias passavam voando e eu nem notei. 

Todos os dias vinha uma enfermeira aqui em casa para fazer os curativos do corte do dreno, demorou um bucado para cicatrizar, precisava ficar sempre limpando para não infeccionar. Foi ela quem retirou meus mais de 40 pontos, porque eu não queria ir ao hospital só pra fazer isso. As ruas estavam (e ainda estão) cheias de buracos, cada impacto do carro era um suplício, então foi muito bom poder receber uma atenção vip em casa. 

Em agosto eu tinha uma consulta marcada para revisão de cirurgia, mas nesse dia aconteceu de tudo, menos a consulta propriamente dita. 
Eu já saí de casa meio mal, mas não comentei nada (meu erro!).
Quando cheguei no anexo do HGCC minha visão estava turva, eu não conseguia focar em nada, e minha cabeça latejava tanto que parecia que ia explodir. Eu mal conseguia caminhar. Meu médico tentou conversar comigo mas eu não conseguia articular uma frase sequer, então ele achou melhor remarcar a consulta e me mandou para a emergência do César Cals. Fui de ambulância e tudo. Chegando lá, fiquei numa cadeira de rodas. Eu nunca quis tanto que o mundo acabasse como naquele dia. Acabei vomitando meu café da manhã mas não melhorei nada. A cabeça ainda queria estourar. Tomei alguns medicamentos na veia e fiquei numa maca, todos os sons pareciam estar mais agudos e com eco. Tentei dormir mas era impossível. Decidi voltar pra casa antes de tomar o último remédio (dipirona) na veia, certamente nossa casa tem maior poder de cura do que qualquer hospital.

Em casa acabei melhorando depois de dormir um pouco. E a consulta seguinte só foi acontecer dois meses depois! Tudo porque eu queria poder aproveitar minhas supostas férias com afinco. Decidimos até fazer uma viagem para selar o fim dos tempos fáceis e o começo de duras provações. Fomos para uma casa de praia, foi bem legal.

Na semana que voltei de viagem, tentei marcar a consulta, mas já estava lotado. Na semana seguinte, era feriado. Só na semana posterior foi dar certo, e recebi o encaminhamento para o ICC. Fui logo no dia seguinte, já não havia mais tempo a perder.

Na próxima postagem conto como ficou decidido meu tratamento, as novas drogas que estou tomando, as novidades dos ciclos... Enfim, tem ainda muita surpresa pra compartilhar.

Quem passar por aqui, deixe seu comentário, hein? 
(Agora tenho que recuperar meus leitores, afinal, tanto tempo sem escrever e o povo já tava achando que era o fim. Mas não, galera, voltei mesmo!)

Super abraço a todos.

Créditos da foto
Autor: Margarida
Galeria Pública Macro

03 dezembro 2009

Quem é vivo sempre aparece



Quase cinco meses se passaram desde que escrevi aqui pela última vez. Nesse tempo, por diversas vezes, me veio a vontade de excluir o blog e deixar pra lá a ideia de compartilhar os acontecimentos da minha vida. Mas algo sempre me dizia para esperar, no tempo certo eu voltaria a escrever.
Não sei se agora é o tempo certo, nesta semana fiquei ansiosa por voltar a postar mas sempre acontecia algo que me impedia, cheguei a imaginar uma conspiração contrária à minha vontade, mas sou obstinada, e aqui estou eu. Postando novamente.

Algumas pessoas ainda me viram após a cirurgia, mas a grande maioria não tem noção do que tem me acontecido, se já estou fazendo quimio, se já acabei o tratamento, o que quer que seja. De muitas pessoas eu fugi, evitei contatos próximos. Fiquei mais misantrópica que nunca, aversa a um monte de pessoas e ocasiões sociais. Não queria ver ninguém, e não vi mesmo.

Tenho muita coisa pra contar, mas não quero fazer uma postagem imensa - como de costume quando fico tempo demais ausente. Vou dividir o que tenho pra contar em pelo menos umas três postagens, para não ser tão cansativo.

Por ordem cronológica, vou falar um pouco sobre a cirurgia.
Na verdade, não apenas uma, mas duas. Isso mesmo.

Dia 07 de julho me internei e dia 08 foi feita a primeira cirurgia. Infelizmente, tive uma hemorragia interna, um vaso sanguíneo foi rompido, meu sangue estava coagulando e precisei tomar quase 5 bolsas de sangue. Foi muito frustrante quando a equipe médica me disse, a uma certa altura da noite, que precisariam me operar novamente no dia seguinte. Não senti medo, mas fiz questão de perguntar se a anestesia iria pegar. Eles garantiram que sim.

Na manhã do dia 09 de julho, lá estava eu, sendo transferida para uma maca que me levaria ao centro cirúrgico. Rapidamente capotei. Não sei quanto tempo se passou, mas acordei de repente, no meio da operação. Senti uma dor intensa no abdome e vislumbrei um pano preto posicionado de modo a cobrir minha barriga aberta. Vozes dos médicos. Pânico.
Tentei gritar, a voz não saia. Comecei a ficar desesperada, o efeito anestésico tinha passado e parece que ninguém notou que eu estava acordada.
Até que um médico começou a chamar meu nome bem alto.
"Maraysa! Maraysa!"
Só lembro que eu virava minha cabeça de um lado para o outro, relutando. Ele tentava colocar em mim uma máscara de oxigênio, mas não sei por que motivo eu tinha medo daquela máscara e não permitia que ele a encaixasse em meu rosto.
Foram alguns instantes assim, até que capotei novamente.

Quando acordei, já estava na sala de recuperação - CTI (Centro de tratamento intensivo).
Meu primeiro pensamento foi:
"Caramba, tô viva!"

Mas logo me bateu uma depressão, uma tristeza. Eu sentia muita sede, tinha duas sondas, uma na boca e outra no nariz. Aquelas mangueirinhas me sufocavam, comecei a ficar sem ar.
Veio uma enfermeira, eu implorei que ela retirasse pelo menos a sonda da boca mas ela disse que não podia. Comecei quase a fazer um escândalo, me balançando na cama, desesperada com a falta de ar até que ela se compadeceu e a removeu. Foi um alívio imenso, sou grata a esta enfermeira até hoje pelo ato de caridade... =)

Minha sede não tinha fim, sempre que vinha algum enfermeiro eu falava: "Sede... Muita sede... Preciso de água..."
Foi horrível, eu fechava os olhos e me imaginava tomando um copo de água bem gelada.
No fim, o que ganhei foi um algodão umedecido que outra alma boa passou em meus lábios. Nada mais que isso.

O desconforto da sonda começou a se fazer gritante. Eu sentia aquele caninho de silicone na minha garganta, qualquer movimento o fazia mudar de posição e doía demais. Era uma luta ficar confortável. Na verdade, eu só não sentia dor quando dormia.

E tem um detalhe que não contei! Além da cirurgia ter sido imensa, bem maior que a anterior, ainda foi feito um corte de quase cinco centímetros na lateral da minha barriga, para drenar as secreções. Eu tinha acoplado a mim um saquinho plástico, que rapidamente ficava cheio e sempre transbordava. Não sei por que cargas d'água os enfermeiros não sabiam fechar aquele saquinho direito, ele sempre vazava e todo aquele líquido avermelhado me molhava. Perdi a conta de quantas vezes precisaram trocar minhas vestes, pois elas estavam ensopadas.
Imagine uma pessoa ponteada, com uma sonda no nariz, sem mal poder se mover, tendo que ser virada de um lado para o outro enquanto os enfermeiros retiravam a colcha da cama e trocavam minha roupa. E isso se repetindo de hora em hora.

Some-se a este quadro o braço direito imobilizado por um acesso venoso por onde eu recebia soro e o esquerdo quase imóvel também por uma máquina detectora de vida com um encaixe que apertava meu dedo e apitava a qualquer desencaixe, fazendo todos os efermeiros correrem para verificar se eu tinha chegado a óbito.
Fiquei dez dias internada.
Meu corpo ficou tão inchado que foi preciso mais de dois dias até todo o líquido ser eliminado.

Foi muito mais difícil dessa vez, e o pior ainda nem contei. Mas vou contar na próxima postagem, aguardem.
Por hoje é só.

Abraço a todos.


Créditos da foto
Autor: Maria
Título: Atrás da Porta
Galeria Pública (olhares.com)

06 julho 2009

Até a vista!

Essa é a minha despedida, por tempo indeterminado. Logo estarei indo ao Hospital Geral César Cals (HGCC) e vocês já sabem o resto.

Essa semana que passou foi cheia de acontecimentos, parece que alguém estava querendo me testar com o último deles, estou até agora com os olhos inchados de tanto chorar.
Mas vou falar dele por último.

Domingo, o preenchimento de um dente meu acabou caindo quando eu passava o fio dental. Não era uma obturação não, viu? u.u Era um dente meio quebrado, desde a infância e talz..
Aí eu fui hoje de tarde ao dentista para ajeitar isso.

Acabei tendo uma boa surpresa, conheci uma moça muito especial que tem feito meus dias mais luminosos desde que passou a me mandar umas belas mensagens de força e apoio.
E ainda ganhei um livro muito show, A Cabana, que já comecei a ler e estou gostando muito. =)
___

Foi no domingo, também, que aconteceu uma coisa muito chata.
Aqui em casa, antes da porta de entrada, tem uma varanda onde o Jake (meu gato preto) adora ficar, inclusive ele faz o maior malabarismo para ficar entre a parede e uma bicicleta velha que ninguém mais usa. O bichinho fica todo espremido, contorcido. O aro do pneu da bike enchendo seu pêlo de teias de aranha. Mas, não sei porque, ele sempre gostou de ficar ali.
Então, como sempre, lá estava ele. Eu e a Swu conversávamos na sala quando ouvimos um miado muito sofrido.
Na mesma hora pensamos que era uma briga entre meus cats e uma gata siamesa que vem da rua e vive perturbando a paz deles, ela é tão safada que até o banheiro deles (caixa com areia) quer usar!
A Swu pediu para eu não ir (eu não posso ter muitas emoções e talz.. Vocês sabem) e já foi para a varanda gritando "Sai! Sai! Sai!".
Foi quando, ao chegar, ela mudou o tom. "Jake, meu bem, para! Para de fazer isso, Jake!"

A bicicleta caiu por cima dele, esmagando a pata traseira esquerda. Quando ele tentou sair, acabou fazendo peso sobre a bike que, por sua vez, estava sobre a pata. Ou seja: seu próprio corpo estava fazendo o aro enferrujado e cortante pesar ainda mais sobre a patinha traseira.
Ele miava descontroladamente e, quanto mais se mexia, mais dor sentia.

A Swu o ajudou e levantou a magrela. Na mesma hora ele saiu mancando, passou por mim, na sala, e foi quase rastejante para a área de serviço.
Para quem não tem gatos, a explicação:
Os felinos são bichanos extremamente orgulhosos. Eles detestam quando são flagrados passando por algum apuro, por algum problema. Evitam demonstrar sofrimento, por isso se escondem.
Com o Jake, que já é o segundo susto grande que temos, pudemos perceber tal comportamento.
Ele ficou lá perto da máquina de lavar, recluso, por longas horas.
Depois, quando ninguém viu e tudo estava escuro, ele migrou para debaixo de minha cama. Ficou por ali até amanhecer.
Não comeu, não bebeu água, não usou o banheiro. =T

Quando acordei, tentei animá-lo. Coloquei a ração por perto, ele virou a cara. Tentei com a água, mas ele só molhou o fucinho e não quis mais.
Respirei fundo.
Contive minhas lágrimas.

Aí eu fui ao dentista, tive a citada alegria por lá, mas quando voltei não encontrei algo muito feliz.
O Jake estava embaixo da cama da minha mãe, e também se recusava a beber. Comeu apenas dois grãos de ração. De repente, saiu do esconderijo, ficou parado no corredor. Eu e a Swu deduzimos que ele estaria apertado, então pegamos a caixa com areia e ele usou o banheirinho. Depois se recolheu novamente.

Observando com atenção, vimos que a patinha estava inchada, além da grande ausência de pêlos no local. Mais tarde, notamos um ferimento avermelhado.

A cada mudança de posição, Jake dava uns gemidos de dor que me faziam chorar de comoção. Ele é como um filho pra mim, ele é meu filho, aliás. =T
O amo mais do que a mim mesma, é algo inexplicável.

Comecei a procurar na internet a respeito de inchaço nas patas de gatos, e o que encontrei me deixou muito preocupada.
Há risco de que ele tenha tido uma fratura grave, pelos sintomas que apresenta (não se alimenta, respiração ofegante, tremeliques). Possivelmente quebrou a pata. =\
Ainda não sabemos, só o veterinário poderá dizer.

Procuramos uma clínica 24h (porque já tinha passado do horário comercial e todas estavam fechadas), mas não achamos nenhuma por perto. Quando amanhecer, uma amiga da família e a Swu irão levá-lo a uma boa clínica veterinária para medicar.
Enquanto isso, eu e a mamis estaremos indo ao HGCC...
Não paro de pensar no Jake, minha mãe já brigou, falou para eu me acalmar. Mas eu simplesmente não consigo!
É mais forte do que minha vontade de parecer forte. O amo tanto que doi na alma.
Vê-lo sofrer é o fim, é desesperador.
Só quem ama verdadeiramente pode compreender. ='|

Já nem me importo comigo, se ele não estiver bem.

É exagero?
Talvez, mas meu amor é assim, sem limites.
___

Bom, pessoas, fico por aqui.

Quem quiser me escrever, mandar e-mails e comentários, eu lerei assim que possível.

Para um contato mais imediato, como eu já citei anteriormente: SMS.

Agradeço a todo pensamento positivo, energia boa que me mandarem, viu?
Até a vista!


Jake: meu mais puro amor.


01 julho 2009

Solidão que me cai bem

Então...

Agora já está remarcada a cirurgia, será no dia 08-07 (quarta-feira), ou seja, no dia 07 me interno lá no HGCC.

Até lá, estou proibidíssima de receber visitas, meu médico não gostou nada de saber que muita gente veio me ver... =T
Mas, não importa, já tá tudo em andamento e posso dizer que foi até legal rever o pessoal que eu não via desde antes de começar as sessões de quimio.

Aviso aos navegantes: quem não for me ver no hospital, por quaisquer razões que sejam, infelizmente devo dizer que não abrirei visitação durante meu período pós-operatório, pois quero evitar as dores que tive da última vez. Quem já foi submetido a uma operação de grande porte, como é o meu caso, sabe que falar é algo que prejudica a cicatrização e ainda facilita a formação de gases. Sem contar que qualquer entrada de ar causa dor imediata, por isso evito rir, espirrar e tossir.
______

Agora, vou escrever algo um pouco mais ácido, talvez polêmico. Vai desagradar um bucado de gente, mas isso está me tirando do sério, e olha que estou proibida (também ¬¬) de ter grandes emoções. Porém, vamos lá. Quem não compreender, não aceitar, quiser se afastar de mim porque se sentiu ofendido, whatever, só digo uma coisa: não vai fazer falta.


É inacreditável como, mais uma vez, estou descobrindo que sou incompatível com certos tipos de pessoas.

Eu não quero fazer desse momento difícil pelo qual estou passando um circo. Não quero palavras ditas da boca pra fora, afinal, palavras são só palavras, as atitudes são o que contam. E mesmo atitudes nonsense têm me irritado além da conta.
Não, não quero pessoas dizendo que me amam, que me querem bem se, na primeira oportunidade, vão voltar-se para seus próprios umbigos e dizer que o que tenho é algo banal.
Sim, estão querendo banalizar minha dor!
Estão querendo comparar isso com aquilo, aquilo com coisa pior. "Veja bem, você poderia estar bem mais debilitada."

Olha, sendo bem franca, eu sei tudo que irão dizer a meu respeito. Eu sei que eu devo erguer a cabeça e aceitar resignada essa fase de provações. É só o que eu tenho feito desde o ano passado.

Mas será que eu não tenho o direito, o mínimo direito, de chorar, de sofrer um pouco, saboreando a amargura de minha própria dor?

Não respondam. A resposta que eu quero ouvir vem de mim mesma, e eu me dou esse direito.
Enquanto eu posar de durona, um nó vai-se acumulando em meu peito e eu sei que isso um dia irá pesar mais do que hoje. Portanto, se eu quiser desmoronar, eu irei, sim, fazê-lo.

O que querem de mim? Que eu fique sorrindo o tempo inteiro para poder merecer ser chamada de forte? Cansei dos sorrisos dissimulados, ok?!
Querem que eu finja que estou adorando estas férias? Querem que eu fique respondendo a todas as mensagens, e-mails e o diabo a quatro? Mandem suas palavras de apoio, ficarei relativamente contente, mas não me cobrem respostas, nunca pararam para pensar o quanto é cansativo tudo isso? Quero fazer o que quero, poxa! Parem de me cobrar, vocês estão me sufocando!

Vez por outra, recebo alguma ligação e, no entanto, não quero atender.
Eu só quero dormir, passar o tempo. Ler, ouvir canções que me transportem para outro lugar. Ver filmes, vivenciar novas realidades. Não quero ficar todo tempo falando de mim, falando do quanto estou sofrendo.
Estou sem saco para tudo isso!

Ninguém mais do que EU sabe o que tenho passado nos últimos tempos e, antes que eu enxugue as lágrimas e resolva ir à luta, deixem-me morrer por um tempo, morrer para todos.

AS PESSOAS NÃO ENTENDEM.

Não compreendem que é a solidão que tem me caído bem, que mesmo a pessoa que mais amo - a Swu -, precisa ficar longe de mim de vez em quando para que eu reflita sozinha meus poucos segundos de escuridão. Ela é a que domina melhor a situação (não sei o que seria de mim sem essa garotinha), ela - e somente ela -, me entende e me aceita sem máscaras.
Pra ela eu não preciso fingir em nenhum instante, e ninguém imagina o quanto isso é libertador.

Quando eu retornar, serei uma nova Mara. Eu sei que muitos ficarão procurando traços da antiga Maraysa no novo ser que já está dando o ar da graça. Sinto em informar que estes muitos ficarão decepcionados, mas é um fato. Eu não quero levar a vida como eu levava antes.
E, de verdade, não tô muito preocupada com o que vão dizer. Sorry.

Estou tentando há vários dias excluir meu orkut, aliás, a Swu está fazendo isso por mim, pois pouco fico na internet ultimamente. Ela já efetuou a exclusão diversas vezes mas meu perfil continua lá, ativo.
Não sei qual o problema daquela merda, mas se alguém estiver interessado em saber o motivo do orkuticídio, digo apenas que cansei. Cansei de um monte de pessoas que estavam na minha lista e pouco ou nunca falavam comigo, sequer se deram ao trabalho de ler meu perfil para entender porque eu estava com uma foto de cabelo raspado. Jamais devem ter lido meu perfil para saber que a Casa Vida estava precisando de doações... Enfim, o orkut já havia deixado de ser uma ferramenta útil para mim e tornara-se uma dor de cabeça sem limites. Livrar-se desse problema era uma atitude no mínimo coerente. Um dia aquele perfil não vai mais existir, e espero que seja logo. Amém.





...Depois desse desabafo estou até me sentindo mais leve...

29 junho 2009

Adiando a Dor


Esta postagem é importante, venho retirar o que disse na anterior:

Minha cirurgia foi cancelada temporariamente, creio que amanhã já saberei da nova data, portanto, meus amigos, quem se planejou de me visitar a partir do dia 1º de julho, reprograme-se porque meu sexto sentido me faz crer que a operação vai ser remarcada para a semana seguinte, a partir do dia 07/07, mas eu aviso aqui qualquer alteração.

O motivo?

=/

Infelizmente, mesmo com as aparentemente devidas precauções, acabei pegando uma gripe de um certo amigo que veio me visitar no sábado. Tive um pouco de febre, no último hemograma acusou que minhas plaquetas estavam baixas, e hoje acordei com um belo Tersol, que é característico de baixa imunidade.
O médico amigo da minha mãe, que trabalha no HGCC e foi o responsável pela marcação da data, ficou chateado porque talvez, agora, eu não seja mais operada pelo chefe da Oncologia do ICC (ele vai entrar de férias dia 30, mas abrira uma exceção a pedido desse tal médico amigo para me operar mesmo durante o período de férias).
Com a mudança da data, serei operada por outro cirurgião, afinal, o chefe da Oncologia não possui qualquer laço comigo para ficar aguardando meu melhor momento. Ele vai bem viajar e curtir a folga... '-'

Mas, com dizem, está nas mãos de Deus, não é isso? =)


23 junho 2009

Sobre a cirurgia

Pessoal, minha cirurgia já está marcada, será no dia 1º de julho (quarta).
No dia 30 (terça) eu me interno no César Cals (HGCC) e, se alguém quiser me visitar lá o horário é das 16h às 18h, é só falar meu nome na recepção que eles indicam o número da sala. Da outra vez, muitas pessoas foram me ver, e existe um limite de pessoas por sala (porque, afinal, em cada quarto ficam 4 leitos, não dá pra entrar muita gente ao mesmo tempo...).

Ah, ficarei um bom tempo sem aparecer pela net, porque operada não dá para ficar sentada, vocês sabem... A comunicação vai se dar apenas por sms, ok?
Vocês estão avisados.

É isso.


Mas é muito mais.

...

19 junho 2009

Estratégias de Guerra

Dia 18 de junho fui ao Hospital César Cals, relembrei vários momentos que vivi ali. Eu não queria ter que passar por algo semelhante, mas não tenho escolha, só resta encarar os fatos, aceitar e continuar lutando, firme. Se eu desmoronar, toda a estrutura da minha família vai junto.

Um dos médicos que participou da minha cirurgia, Dr. Jerônimo, se tornou um bom amigo. Ele estava avisado que iríamos lá. Ao me encontrar, ele deu um abraço tão forte e verdadeiro que eu precisei segurar as gotinhas salgadas que estavam beirando meus olhos.
Ele também leu e analisou a tomografia. Falou que aquilo era tão raro, mas tão raro, que seria possível contar nos dedos de uma só mão quantas mulheres que aparecem no ICC têm este tipo de câncer que eu tenho.

Curioso como ele só - e se aproveitando do contexto em que ele se encontra, trabalhando na área de imagem, especialmente ultrassonografia -, pediu que eu me deitasse na maca para fazer um ultrassom.

Foi interessante porque ao passo em que ele ia detectando os tumores, eu ia vendo também. Ele disse que o primeiro tumor a ser retirado será o do umbigo, depois os da região anexial direita e esquerda. Eu perguntei como era possível ter acontecido isso, e ele falou que também não entendia, já que minha primeira cirurgia foi justamente a remoção total (a olho nu) das células cancerosas e a quimio foi muito pesada.

As especulações são: ou o tumor resistiu durante todo o tratamento quimioterápico ou eu precisava ter feito mais sessões para acabar de vez com os restos dele (e, nesse caso, o que sobrou foi crescendo no período em que fiquei sem fazer Qt). De todo modo, é quase inacreditável. Confesso a vocês que a ficha ainda tá caindo... :\
Tudo indica que o próximo tratamento vai ser ainda mais pesado que o anterior. Como dizem popularmente: a quimio vermelha.

Após sair do César Cals, fui ao dentista fazer a remoção do aparelho.
Meu médico aconselhou essa atitude porque na outra vez eu sentia muito o gosto de ferro, e sempre que eu vomitava era um suplício para conseguir acalmar meu paladar (afinal, o aparelho ortodôntico retém bastante os restos alimentares, e mesmo para fazer a higiene bucal era super trabalhoso. Quem tem aparelho sabe bem, é super cansativo fazer a limpeza com fio dental após as refeições, imagine estando sob efeito da quimio...).

Me senti super esquisita sem o aparelho, mas é libertador.
Só quando eu terminar tudo é que irei retomar.

Já que vou ter de passar por tudo outra vez (ou ainda pior), o ideal é tentar evitar os possíveis incômodos.

Minha vida volta-se, mais uma vez, para se dedicar única e exclusivamente à minha saúde.

Nada é mais importante que estar saudável e de bem com a vida. Não que eu duvidasse disso, mas agora posso afirmar de corpo e alma.


Caixinha de Surpresas

Ninguém gosta de sofrer, ninguém gosta de sentir dor.
E mesmo quando citam pessoas masoquistas, mesmo elas, não gostam de sentir uma dor que não foi planejada.
Uma dor que não se quer.

17 de junho. Quarta-feira, 13h.

Fui ao Hospital do Câncer com minha mãe e minha irmã, contente por ser uma consulta de 'encerramento'. O médico que tem me acompanhando desde o começo só iria olhar a última tomografia que fiz (no começo de junho) e me encaminhar para a ginecologia - isso já devo ter comentado aqui por diversas vezes.
Chegando lá, um tanto eufórica, o observo atentamente, enquanto ele abre aquele grande envelope pardo com as imagens tomográficas aguardando uma análise aprofundada.

Uma outra médica chega e ele lhe pergunta:

"Ei, e aquela paciente lá?"

Ela responde: "Óbito."

Ele torce os lábios como quem diz "é, fazer o quê...", se volta para mim e lê a conclusão por escrito das imagens captadas.
Eu aguardo ansiosa por alguma resposta, algum sinal.

Decido então entregar-lhe um papel escrito pelo meu dentista, perguntando se eu estava autorizada a continuar o tratamento ortodôntico.
Ele dá uma olhada na folha e responde:
"Pode parar com isso aqui, viu? Melhor tirar o aparelho."

Eu fiquei estarrecida.
Mas como assim?? Por quê?

"Seus exames deram uma alterada...Você vai ter que fazer uma nova cirurgia..."

O quê?

"É, só preciso saber se é melhor operar logo e depois começar a quimioterapia, ou a gente faz logo umas sessões para diminuir os tumores, opera e, daí, faz novas quimios..."

Peraí... Mas... Onde é que estão estes tumores??

"No mesmo lugar. Só que agora você não tem ovários e nem útero, mas existem três novos tumores, que devem ter crescido nestes quase dois meses em que você ficou sem fazer Qt."
____

Algumas pessoas me admiram, me consideram forte. Mas no instante em que ouvi as palavras "cirurgia" e "quimioterapia", foi inevitável conter minhas lágrimas.
Minha mãe deu uma de durona, mas a verdade é que a intuição dela a estava alertando, e a minha também, mas eu simplesmente não queria enxergar.
Uma semana atrás eu tive um sonho, no qual eu recebia a notícia de que teria que fazer mais quimio. Acordei super mal, mas procurei relevar. Meu pai ficou preocupado, ele acredita no poder premonitivo dos sonhos (com ele tem dado muito certo).

Eis a grande surpresa do dia.
Mara não vai voltar para a faculdade. Mara não vai voltar a sair. Mara vai começar tudo de novo.

Contive minhas lágrimas, e pedi que ele me explicasse o significado daquelas imagens.
Ele apontou cada tumor, e um deles é justamente na região interna da minha cicatriz, por dentro do umbigo.
Acreditem: já tem líquido ascítico se acumulando, como da primeira vez.

É o replay de um filme de drama, que na primeira vez pareceu até interessante - uma experiência para compartilhar.
Mas agora, que eu sei como será cada etapa, só de pensar eu já fico desanimada.
A tristeza quis tomar conta de mim desde que recebi a notícia, mas minha mãe não iria suportar me ver tão abalada. Eu segurei o choro, e consegui encontrar em coisas banais motivos para sorrir e demonstrar que eu estou bem, já passei por isso uma vez, consigo passar de novo.

Minha mãe é tão adorável que, no dia anterior, comprou várias coisinhas pra mim - junto com a Swu, minha hermanita maravilhosa.
Ganhei um jogo que eu tanto queria (Imagem e Ação 1) e mais dois quebra-cabeças, um de 500 e outro de 1000 peças. Por sinal, terminei hoje o de 500! =)

Tenho me distraído com passatempos e conversas agradáveis. Eu noto aquele olhar de solidariedade, aquele olhar que me diz sem dizer nada que vai estar comigo sempre.

Meus pais fazem de tudo para me agradar, agora mais que nunca.
A Swu, caramba, nem tenho palavras para expressar o quanto ela tem se desdobrado para ler meu pensamento e fazer qualquer coisa que eu venha a querer.
Estamos mais unidas - se é que é possível.

Muitas visitas terão de ser canceladas, acho que já no final deste mês irei fazer a cirurgia, o corte será por cima do outro, que mal cicatrizou. Vou continuar ausente do mundo, receber os mimos da família e agradecer a todos que torcerem por mim.

Embora eu tenha alimentado minhas esperanças de que o pior havia passado, tenho que encontrar forças para admitir que ainda falta uma longa caminhada a percorrer.

A luta continua.

11 junho 2009

Indiferença

"Enquanto dormes, te amo.
E quando acordas, te chamo.
Minha Senhora, se desejas
Não apenas desejas, terás
Não escrito por ti é mordaz
Todo e qualquer versejar
Com meu olhar te chamo
Com meu sonhar te amo. (...)"
Créditos ao Cavaleiro Trovador.

Algumas coisas nunca são esquecidas. O tempo pode corroer tudo em volta, mas jamais aquilo que está guardado no infinito da lembrança.




Lembra que uma vez você disse que ia me amar pra sempre?
Lembra que, já em outra circunstância, você afirmou que falar era algo fácil... "Palavras são só palavras, afinal..."

Pois saiba que eu me senti no direito de acreditar naquilo que me convém, naquilo que me faz bem.
Se palavras são só palavras, então, as suas se perderam no vento, naquela noite.
O que foi escrito, não pode ser esquecido, nem mesmo com chamas ardentes, e você sabe bem disso.

Porque temes dizer que um dia me amou de verdade? Eu digo que meu sentimento por você foi realmente sincero, é motivo para vergonha, por acaso? Eu não considero assim, posso não ser um modelo de maturidade, mas o que sei é que sentimentos bonitos, mesmo quando acabam, não precisam ser apagados.
Mas essa é uma escolha minha, não sua.

Não te julgo por seus atos. Não te julgo.

Posso estar enganada, mas não creio que estou. Sei que me julgas com olhos ferinos, sei que sente por mim algo nada bom para se dizer em voz alta. E como eu reajo ante seu asco?
Lamento.
Aliás, não. Lamentar é ainda sentir, e eu não sinto por você nenhum tipo de sentimento, bom ou ruim.

Só preservo o que é bonito, entende?
Só guardo porque me faz bem, e ninguém tem o direito de interferir na minha decisão.

Não sinto mais saudade; sim, um dia senti.

Só o que existe hoje é a indiferença.

05 junho 2009

Liberdade para escrever


Oi povo! =)

Como eu disse, agora estou de volta e bastante empolgada, pois finalmente decidi dar continuidade ao meu projeto de criar um blog sobre propaganda e tv. Optei por permanecer no blogspot, que eu conheço e me dou muito bem... hehe ^^'

Eis o link do portal, espero que vocês visitem, vai ter muita coisa interessante por lá:


Inclusive, já tem uma postagem bem legal, que eu devo até agradecer ao meu amigo Rafael Motafer, que foi o responsável pelo envio do acervo de propagandas, muito obrigada, viu, Rafa? =D


Mudando de assunto, eu notei que o blog deu uma parada, e acho que já sei o motivo. A verdade é que eu passei a receber muitas visitas e comentários por aqui devido ao tratamento quimioterápico e a distância que se fez entre mim e meus amigos/colegas/conhecidos. Hoje em dia, que as sessões de quimioterapia terminaram e eu me sinto bem, é como se as pessoas achassem que não é mais necessário mandar recados, comentários ou algo do tipo. E é verdade, a 'carência' que eu sentia diminuiu, e já visualizo o Coisas do Mara como era antigamente, com uns dois ou três leitores fiéis, que comentam. E agradeço, sim, a essas pessoas (que não irei citar nomes, mas elas irão saber que são elas...).
Por conta disso, não me sinto mais na 'obrigação' de comentar tanto sobre minhas idas e vindas ao ICC, já que nunca o objetivo desse blog foi ser um diário de rotina. Na verdade, a intenção é escrever sobre o que me vier na telha, desde poesias e coisas sem sentido, até, inclusive, coisas da minha vida. Eu nem precisava dar essa justificativa, na real, mas é assim que eu costumo agir e portanto, that's it. 8-)

Antes eu estava só falando como andava minha saúde como se, indiretamente, eu precisasse 'prestar contas' às pessoas que queriam saber de mim. Mas, felizmente, agora não sinto mais isso. Liberdade. ^^' 
E isso é bom.

Não vou me prolongar mais por hoje, a postagem foi mais para divulgar o portalpv.

Em breve voltarei a postar aquelas coisas sem muita coerência de outrora. Sinto saudade dos tempos em que eu sentia que tinha algo de escritora... =)

Embora só um e outro vá ler, o importante é que vai ler porque se interessou, e só isso importa. Só isso.

Pra finalizar, outra foto, tirada semana passada, aqui na webcam do notebook.



Olha só, meu cabelito tá crescendo! \o/ 

Até a próxima e, quem ainda não votou.. Se quiser.. Fique à vontade! Huhuhu xD


02 junho 2009

O Retorno



Férias. Afinal, quem não precisa de umas de vez em quando?


Eu tive meu merecido descanso, devem ter notado que fiquei sem postar desde o dia 06 de maio. Alguns devem se questionar: 
-Ué, férias? Mas a Mara não fica todo tempo em casa, não faz nada? Por que essa agora de férias, merecido repouso e blá blá blá?

Eu respondo:

Sim, estou em casa desde dezembro. Cheguei a sair uma vez, em janeiro, para a despedida antes de as sessões de quimioterapia começarem. Porém, após esse dia, não saí para outro local que não o Hospital do Câncer ou o laboratório onde fiz meus exames de sangue e plaquetas. E esse tempo todo confinada em meu lar, convenhamos, pode receber qualquer denominação, exceto férias.
Embora em casa, dia após dia, eu não podia fazer o que eu queria, nem mesmo pegar meus cats, ver amigos ou decidir o horário de dormir.
Quase todas as semanas eu tinha de ir ao ICC e, ao retornar, só queria saber de ficar deitada. Meu corpo pedia uma cama num quarto escuro e frio. E foi assim até um dia desses.

Eis que, finalmente, as sessões de quimio acabaram! Ainda não estou livre, na essência da palavra, mas já posso fazer muito mais do que outrora. Inclusive, alguns amigos vieram me ver, e outros estão por vir. Se não fosse a gripe que peguei na semana passada, poderia dizer que me considero saudável.
Antes que perguntem sobre as crises de calor, infelizmente, eu ainda as sinto. Mas isso em breve vai ser amenizado, pois logo irei receber o resultado da última tomografia que fiz e, sendo tudo como o esperado, em seguida começarei com as consultas ginecológicas, voltadas para este probleminha da menopausa precoce. 

Em meados de maio eu decidi que iria me presentear com as citadas férias. Decidi que não teria compromisso com nada, inclusive com o Blog. Mal entrei no orkut, e pouco abri meu e-mail. Me dediquei a ver filmes, jogar, comecei a me exercitar (agora tem uma esteira ergométrica aqui em casa! \o/).
E tudo isso porque eu PODIA. Eu queria virar a noite e acordar duas horas da tarde no dia seguinte e eu FIZ exatamente isso. 

Foi então que eu me empenhei e comecei a dedicar meu tempo a entender um pouco sobre blogs, templates e tudo relacionado a isso. Passei a procurar um modelo interessante para melhorar o Coisas da Mara. E vocês podem navegar pela internet inteirinha que não vão achar outro modelo igual a esse. ;)
É baseado em um que eu encontrei e o deixei com a minha cara.
Há uns poucos dias eu tranquei este blog, só para poder arrumar e testar as modificações. Enquanto isso eu não queria que ninguém viesse. 
Fiquei feliz pois no mesmo dia algumas pessoas passaram a me questionar:

Ei, Mara, por que você trancou seu blog?

Mas eu mantive o mistério, até hoje. =)
Espero que tenham apreciado a nova aparência, deu bastante trabalho para ele ficar como eu queria, mas finalmente terminei e agora voltarei a postar com mais frequência.

Não vou mais me prolongar por hoje, preciso avisar aos navegantes que o Coisas da Mara acordou e, agora eu deixo o pedido básico do dia: 
Para quem ainda não votou e acha que eu mereço este mimo, clique no banner do Top Blog aí ao lado e vota. Tá? xD~~




Uma das mais recentes. 

Beijos e até breve!

06 maio 2009

Soneto do passado

Olá pessoas! 

Quero agradecer aos comentários na última postagem, me deixaram emocionada... =')

E antes que me perguntem porque demorei a atualizar o blog, devo dizer que foi por uma boa causa.
Lembram do projeto do blog sobre propaganda e TV?, poizé, ele está a caminho, quase no ponto! Já está acertado o endereço, mas ainda não vou divulgar porque tô insatisfeita com alguns detalhes, embora alguns venham a considerar bobagem, sou bastante perfeccionista para mostrar algo e depois ficar mudando, portanto, só vou divulgar quando estiver do jeito que quero. E já com pelo menos duas postagens bem interessantes.
Me dediquei muito a isso na última semana, estou aprendendo com meus erros pois não tinha noção de como era trabalhar em outra plataforma que não esta, Blogger, que estou bastante acostumada. Tô relembrando também um monte de coisas que aprendi na faculdade e já tinha esquecido. =X

Por dica de um certo alguém, migrei para o wordpress e, por causa dessa pessoa também, estou vislumbrando voos mais altos. 
Nem vou dizer que foi o Pedro... Hehe ;)

Mas enfim, aqui não cabe ficar falando sobre isso, portanto, vou responder a uma dúvida recorrente nos comentários sobre o prêmio TOP BLOG.
Na verdade, até ontem, ainda não dava para votar em nenhum blog, mas agora já é possível. Basta clicar nesse selo que tem aqui na barra lateral que você é redirecionado para o portal TOP BLOG e pode votar a favor do 'Coisas da Mara'. Se não me engano, eles pedem apenas o nome e o e-mail, é bem rápido.

Agradeço a quem votar! =)

E, por falar em novidade, recomendo um blog super legal que entrou no ar dia desses. Para manter o mistério, não vou dizer o nome do (a) proprietário (a), mas não será difícil descobrir com o passar do tempo, para os mais íntimos. =P

Trata-se de uma espécie de livro, cujas postagens são os episódios da vida de uma garota chamada Natasha, que mora em Fortaleza.
É super, super bem escrito mesmo, vale a pena conferir:


Outro ponto positivo no blog é o visual dele, está super lindo! *-*

Hoje não tô com muita ideia do que escrever, então vou colocar abaixo um soneto que escrevi quando tinha 16 anos, e com ele fiquei em segundo lugar num concurso promovido pelo grupo Shalom.




Insegura

A noite escura da janela
Um turbilhão em minha mente
Meu coração despreparado
E você surge de repente

Me envolvendo em seu abraço
Me ganhando a cada dia
Oh! meu Deus, o que eu faço?
E você, o que faria?

Sem pensar, só quero agir
Se não agora, nunca mais
Amanhã é outro dia

O hoje não se refaz
Numa fuga muito lenta
Um decisão atenta: Desistir, jamais!

O título do Soneto é algo que me representa bastante. Foi escrito numa época em que minha insegurança era ainda pior do que atualmente.
Hoje em dia não tenho escrito mais poesias, me fixei muito mais na prosa, em especial nos contos e nas crônicas.
Um dia hei de lançar algum livro, mas para isso preciso acreditar um pouco mais no que faço, a Swu comentou que meu jeito de escrever é dinâmico e remete à literatura infanto-juvenil, tipo Pedro Bandeira. Deve ser porque cresci lendo os livros dele... Mas o fato é que não sei se quero manter essa linha juvenil, queria redigir algo mais maduro, e por conta dessa cobrança comigo, acabo nem fazendo nada. T.T
Já contei que comecei a digitar em torno de 5 romances e não terminei nenhum? Acho que todos estão hoje num buraco negro, pois cometi o erro de não fazer back up, e nas formatações da vida, se perderam... :\ 
Mas enfim, passado é passado, eu sei que com algum esforço, posso fazer melhor.

E quem nunca disse essa frase: um dia ainda lanço um livro?

Basta ver no orkut, nas comunidades com esse título, a quantidade de pessoas que  têm esse desejo. Agora fica a dica de ouro para quem leva esse sonho a sério (segundo me repassou um amigo da facul, que já tem 3 livros publicados):

Não espere até amanhã para começar o seu romance. Comece-o hoje, agora. E não fique mais de dois dias sem adicionar conteúdo ao texto, se não você vai esquecer o que escreveu e pode cair em contradição. Ou pior: vai perder o gosto por sua história.
Procure na internet concursos literários, participe de todos que puder. Alguns podem demorar, mas quando aparecerem, vão exigir do participante um romance já pronto, e o seu precisa estar ok. Então, volto a frisar: não espere o concurso aparecer para dar início ao livro. Esteja com o livro pronto, quando as inscrições forem abertas voce já terá material para concorrer.

Dicas preciosas, hein?
Eu bem que deveria segui-las... hahaha '-'

Galera, vou ficando por aqui, aguardem que, em breve, estarei mudando o visual do Coisas da Mara, deixando-o mais bonitinho... ^^
E não esqueçam de votar (por livre e espontânea pressão.. xD)!

Super beijo e até a próxima.

23 abril 2009

Música Triste

If I am sad, let me be sad.

"A música que estou ouvindo agora é triste.
Muito triste. Daquelas que me tocam o âmago e parece que nunca mais terei motivos para sorrir."

De vez em quando eu fico down, antes eu atribuia à TPM, mas agora não tenho mais essa desculpa.

Isso me lembra que perdi também um monte de outras desculpas, como faltar à aula por conta da cólica, não receber alguém por conta da dor. Não entrar na piscina porque estou naqueles dias. Vou ter de ser criativa e inventar algo diferente. E isso porque preciso muitas vezes me explicar para as pessoas, isso tem me deixado ainda pior. Não é de hoje, na verdade. Mas é cumulativo.

Vou me aprofundar nessa temática na postagem de hoje: "preciso muitas vezes me justificar, me explicar, me fazer entender."

Se eu quero ficar só e simplesmente pensar, preciso inventar uma razão para que não venham pessoas de todos os cantos perguntar por que estou triste.
Vejam bem: Por que estou triste!
E não como seria razoável de aceitar: Você está triste?
Entendem a diferença?

A questão é que sempre aparece alguém para não me deixar esquecer que essas pessoas só querem o meu bem. Eu sei, na verdade não as culpo, vivemos numa sociedade hipócrita mesmo, e fingimos que um monte de coisas que fazemos é completamente normal. E quando aparece um indivíduo que discorde de algumas normas da boa convivência, ele é que é O Inoportuno.

De que normas ela está falando, vocês devem estar se perguntando, pois direi:

  • Quem inventou que era normal acenar para outra que se encontra do outro lado da rua, dizendo: Ei, Fulana, e aê!? Eeeei! Psiu! Eeeei!!! Fulanaaa!!
  • Quem, diabos, disse que isso era necessário? Por que as pessoas sentem essa necessidade de se fazer notar?
  • E quando você é a Fulana que não ouviu ou (por que não?) simplesmente não quis acenar de volta para a criatura gritante na outra rua, você é metida à besta, bossal, convencida. "Aquela ali se acha, quando passa nem cumprimenta!" Pausa para minha cara de perplexidade: o.O
  • Quem foi que generalizou o hábito de as pessoas fingirem umas às outras? Passamos a maior parte do tempo fingindo que estamos bem, fingindo que não temos problemas, que nossa família é perfeita.
  • Eu gostaria de poder dizer abertamente que não gosto de chamar a atenção, ainda mais na rua, apressada, sob um sol nada amigável. Eu gostaria de dizer que não quero conversar agora, que não estou a fim de papo. Poucos entendem e respeitam meu espaço. E tudo porque isso não é considerado adequado!
  • Por que eu preciso me sentir obrigada a fazer uma faculdade, casar, ter uma vida que é considerada normal? Por que eu não posso simplesmente decidir quando é meu tempo de ser independente para fazer minhas próprias escolhas, cometer meus próprios erros e aprender com eles?
  • Por que eu tenho amigas que precisam fingir que estão com amigas quando na verdade estão com suas namoradas? Porque a mãe delas considera uma vergonha o fato de elas gostarem de meninas!
  • "Se minha família descobrir, vai ser o fim!" - Por quê? Por acaso seus tios, tias e afins te sustentam, te apoiam nas suas decisões arriscadas? Isso se chama hipocrisia, demagogia, falsidade!
  • É vergonha AMAR? Todo tipo de amor é bonito. Todo Amor é Amor, por que tem TANTA gente que não enxerga isso??

  • Se por acaso eu quisesse abandonar minha faculdade e tentar um curso de Sociologia, quem iria me dizer que era uma decisão inteligente? Poucos, posso contar nos dedos de uma só mão.
  • "Não é inteligente abandonar Publicidade para fazer Sociologia, Mara... E você tem bolsa de estudos na sua faculdade, por que você quer jogar tudo pro alto? Coloque os pés no chão, seja realista."
  • E se eu não quiser me manter calma? E se eu quiser voar ao invés de aceitar o que é mais inteligente?
  • "Mas você precisa de dinheiro... Sociologia não vai te trazer uma vida que com certeza a Publicidade trará. Não tem espaço."
  • E se eu não quiser ser rica? E se que não tiver essa ambição desmedida de uma mansão, uma casa na praia, um carro do ano?
  • "Ah, para! Você não querer ser rica é mentira! Pra cima de mim? Pelo menos uma vida confortável você quer ter, quem não quer?"
  • Quem? Alguns gostariam de um simples prato de comida, e você vem dizer que não acredita que eu não tenho essa ambição de ser rica?


As pessoas enlouqueceram or what?





Sim, estamos todos loucos. Eu não consigo encontrar outra resposta.


Eu estou louca! Eu tenho dois gatos - dois animais supostamente irracionais -, e os amo incondicionalmente.




No entanto, aqui em casa, nós comemos carne. Nós comemos um "cadáver de bicho" (plagiando palavras da Sam) ontem no jantar.
Isso está me consumindo, isso não é certo. Eu não comeria um gato. Em alguns países é normal comer carne de cachorro, de golfinho. Meu Deus, o que eles fizeram de mal? Eles sentem dor, eles sofrem.

E agora eu respondo porque ainda não parei de comer carne. Sinto que devo essa resposta à minha amiga Sam, que embora jamais tenha me pedido isso diretamente, eu sei que a deixaria muito feliz saber que eu mudei meus hábitos alimentares.
Eu estava parando, aos poucos, antes de descobrir o câncer. Todos os dias aqui em casa, quando eu me recusava a comer o bife 'maravilhoso' da mama, era uma discussão. Meu pai se mostrava 'decepcionado' comigo. Minha mãe chateada, irritada. Chegavam a me obrigar. Faziam bife quase todo dia. Quando não era carne bovina, era suína (essa eu nem gosto). Frango, peixe, nuggets, panqueca de carne, almôndegas...!
TUDO na minha casa é assim. De origem animal. Eu não tenho opção quase sempre, passei fome muitas vezes por opção.
Mas aí veio um motivo de força maior. Uma doença que me deixou fraca por inúmeras vezes e me impelia a aceitar o que viesse.
O pior: muitas vezes eu nem comia o arroz, o macarrão, o feijão. O bife conhecido da mama era a única coisa que eu conseguia ingerir, e mais lamentável ainda: eu gostava.

Isso, se não me deixar louca, vai me deixar depressiva ou muito desnutrida.

"Estou ouvindo uma música triste agora. Ela mexe comigo, me dá vontade de gritar e chorar."
É The Cure, do início ao fim da postagem só ouvi A Cura.

Mas onde eu encontro a verdadeira cura para minha fraqueza, para que eu possa me olhar no espelho e não sentir que sou uma assassina?
Sou conivente com todo esse mal. Me sinto um lixo.

"Hoje estou meio down. Mas preciso inventar uma desculpa nova, não quero que venham perguntar por que estou triste. Hoje não."