05 janeiro 2010

A Saga do 2º Ciclo - Parte 1/2

2010. É, um novo ano começou. Início de uma nova década, ano do Tigre. 
Que seja um ano incrível para mim, para todos que estão lendo e, claro, para o nosso querido planeta água, que está tão cansado (e quente), precisando de atenção urgente. '-'
Este ano promete... E há de cumprir!


Queria ter feito uma postagem antes de 2009 acabar, contando como foi o 2º ciclo de quimio. E também fazer uma listinha das coisas que quero realizar ao longo do novo calendário. Mas não deu, eu tava sem a menor disposição pra escrever. Algumas pessoas importantes ficaram preocupadas com meu sumiço, com minha falta de notícias, e hoje recebi uma ligação que foi o estopim para que eu voltasse a atualizar o blog. Eu tinha me dado o prazo de fazer isso até o fim da semana, mas pra que deixar pra depois, se posso fazer agora, não é mesmo? Então, vamos lá.

Quando me internei na enfermaria do ICC, naquela fatídica terça-feira (08-dez-2009), imaginei que ficaria lá por três dias e depois voltaria pra casa, como da outra vez. No entanto, foi tudo diferente. Só fui receber alta na segunda-feira, dia 14. A médica me informou que seria domingo o dia da 5ª sessão, então ela não poderia me mandar pra casa, já que o 5º andar (onde eu iria fazer o resto do ciclo, indo todo dia ao hospital) não funciona aos domingos. E a enfermaria, claro, funciona todos os dias. O que eu respondi? Ué, não tenho opção mesmo. 

Fiquei lá por 7 dias, e vocês não fazem ideia do quanto foi ruim.



Primeiro, o óbvio: tédio total.
Como fico todo tempo com um acesso venoso, não dá pra fazer praticamente nada. Lá tem uma pequena TV, em um suporte na parede, que fica voltada para as duas camas do lado oposto ao que fico, ou seja, só escuto a programação, não a vejo. T.T E a programação geralmente é uma droga. Pra ler é meio desconfortável, ainda faço umas tentativas, mas é complicado porque só posso ficar deitada do mesmo jeito, a fim de evitar ficar por cima do braço que está com o acesso (ele de novo!). Eu sempre levo meu diário, mas só escrevo nele no primeiro dia, enquanto ainda não tô com o soro. Para ir ao banheiro, minha mãe sempre tem que ir comigo. E, tipo assim, vou MUITAS vezes ao banheiro. Nos medicamentos tem diurético e otras cositas más. Tomar banho é um ato que também exige um certo desgaste. Não aguento ficar em pé muito tempo, é bem chato, mas não entrarei em detalhes. /shy/

Segundo, o inesperado: uma paciente irritante. 
Na cama ao lado da minha, tinha uma mulher que resmungava, vomitava, reclamava, brigava com as pessoas TODO O TEMPO. Ela tinha muita sede, ficava pedindo água de cinco em cinco minutos, e bastava beber para em seguida colocar pra fora. Ela mal ficava em pé, durante muitos dias só a vi levantar 3 vezes, e com a ajuda de 2 pessoas. No entanto, ela queria porque queria ir pra casa. Brigou com uns médicos, dizia que estava bem, mas quando eles davam as costas, ela começava a se queixar de dores. Com a mãe dela, vixe maria, era briga a todo instante. Evidentemente ela não estava bem para receber alta, mas ficava resmungando de hora em hora: Mãe, quero ir pra casa, mãe me tira daqui. Eu quero ver meus filhos. Ah!! Eu quero ir embora. Eu vou m'embora, de amanhã não passa. 
E a mãe dela não conseguia lidar com isso, começava a dizer que ia deixá-la sozinha e não sei mais o quê. 
Eu tava muito enjoada, sem apetite, com náuseas, e tendo que aturar a televisão ligada, a luz na minha cara (porque tinha uma outra paciente, idosa, que recebia atenção redobrada e deixavam a luz do leito dela sempre acesa durante a noite), os resmungos infantis da paciente ao meu lado (e tipo, uma mulher adulta, sabe? Sem noção, tava muito irritante)... Foi hard!

E a comida do ICC, para os pacientes, é horrível. Comida sem sabor, fria. Um cardápio duvidoso, uns peixes estranhos (argh!), umas saladas esquisitas. Minha mãe gastou uma nota indo todo tempo à cantina para tentar arranjar algo que eu tinha vontade de comer. E depois que meu apetite sumiu por completo, veio a fraqueza. O soro era a única coisa que me sustentava. 
E, como se não bastasse o medicamento na veia, ainda precisava tomar dois enormes comprimidos mal cheirosos por dia (parece incrível, mas isso era o que eu mais odiava). Quando meu estômago e meu fígado estavam mais sensíveis, era certo que eu vomitaria os comprimidos. Aí, a enfermeira me dava uma injeção para evitar o vômito, e depois eu tinha que tentar novamente, sabendo que não existia a opção de não tomar*. O problema é que essas injeções anti-vômito me causavam palpitação e impaciência. Minhas pernas ficavam inquietas, eu não achava uma posição boa na cama, e por três noites seguidas eu fiquei sem dormir. Durante o dia era difícil conseguir recuperar o sono, por tudo que já citei. 

Minha mãe insistia para que eu ouvisse música, mas não sei porque, eu não sentia vontade, era como um mártir optando pelo sofrimento. Daí, acho que foi no sábado ou no domingo, quando eu já tava sem aguentar, resolvi pedir o CD player (só por pedir, pra não dizerem que não tentei). E, como um bálsamo, a música me acalmou, parei de ouvir a voz da paciente, as vozes da novela e tudo foi ficando melhor. Não sei de onde eu tiraria forças para suportar continuar ali se não fosse a música.

E essa postagem já está maior do que planejei... Continuo a saga do 2º ciclo na próxima.

Inté!



*Tenho que tomar esses comprimidos que odeio pelo seguinte motivo: uma das drogas que está na minha Qt é a Ifosfamida, e ela ataca a bexiga. Então, as pílulas de Mesna (esse é o nome do bendito remédio) servem justamente para evitar que minha bexiga sofra danos colaterais, como sangramentos. Não dá pra fugir. =T 



9 comentários:

sam disse...

tá mais perto que longe, tá mais perto que longe.
we love you, xuxu :'***

Elson disse...

Aiaiai Mara que sofrimento, e ainda tinha que aguentar o pior tipo de pessoa tipo mesmo com dor ela não respeitou a sua e nem de ninguem só focou nela mesmo, deve ser muito duro esse tratamento mas também tudo tem limites...
Bem mas agora teve sua muscia, vi uma vez em u estudo que a musica dependendo do gosto da pessoa e da musica, ajuda a relachar e tudo mais
Mara espero ansioso pela continuação desses acontecimentos.
Do seu amigo que a adora tanto!

deisi disse...

Ah querida! Que bom que fui classificada com o pessoas importantes *espero neh XD* claro, estávamos todos com saudades da Marita do nosso coração, mas não se preocupe, eu soco quem te encher o saco =P como eu disse querida, poste somente quando tiver vontade, e quiser falar. Ninguém te força *e se forçar APANHA da ruiva aqui hein???* hmpf u_u

Eu queria morar ai perto, pra poder ficar com vc e ficar fazendo piada pra marita ficar melhor, ou ler pra vc ou sei lá, te ajudar a torturar ainda mais a mulher chata do seu lado i_i" recebeu minha msg no celular??

enfins, beijos querida, qdo quiser rir de besteiras ou qualquer outra coisa, chame!

sam disse...

já deve ter vivido mais que eu, que perdi tempo com coisas menos importantes.

e quanto à pergunta... vc saberá. um filme pode dizer mais que mil palavras. =D


Love you, sweetie. Love you.

romenum disse...

cara, odiei as coisas pelas quais tu passou! hehehe... coisas mais chatas, cara!

mas é como a Sam diz... calma q deve tá pertim. força, Mara! a gente te adora!!! xD

bjão... saudades.

Mônica disse...

Bom falar com vc, e saber que vc está curtindo bem suas 'férias' da qt ... logo essas féris serão definitivas .. certeza!!!!!
te adoro muitooooooooooo .. beijos imensos ...te ligo essa semana.


Beijos,

Mô.

DIEGO ALMEIDA disse...

Mara, minha amiga! Eu olhei agorinha seu blog... ainda bem quevc esta escrevendo, alias tenho que ler tudim, viu? Alias gostei muito quando vc falou comigo, tava morrendo de saudades de você. Tenha muita coisa para te contar, minha amiga! Espere e-mails! Te adoro muito, viu!!

Kah Schösler disse...

Oi Mara *---*
Me lebro que passava no seu blog diariamente, mas depois de um tempo fui achando que você não iria mais postar. Mandei sms, tentei ligar, falei com o Bruno e tudo mais, eu deveria ter tentado um e-mail, né? =x
Mas hoje resolvi passar, só para ver algumas postagens antigas e de fato te mandar um e-mail como última opção, mas você pode ter certeza que foi realmente maravilhoso entrar aqui e ver que você voltou. Fez até meu dia ficar melhor, me fez falar para algumas pessoas que você está bem e que voltou a postar novamente.
Mesmo não tendo contato como antigamente, me sinto bem vir até aqui e ler o que escreve, me faz ter fé novamente, porque as vezez ficamos triste com tão pouca coisa e vejo você tão forte e tendo sempre motivos pra continuar.

Foi realmente uma grande dádiva ter te conhecido, sinto muito sua falta.
Se cuida pequena, te amo!

Ivu disse...

É incrivelmente fácil encontrar pessoas escrotas quando a gente menos precisa delas.

Saudações de um sumido, marita.