26 fevereiro 2010

Por essa ninguém esperava

Olá meus amigos, como vão? Gostei de ler os últimos comentários, me fizeram perceber que algumas pessoas que não davam sinais de vida há um tempo ainda lembram e sentem saudades de mim. Fiquei comovida *-*.

Aline, Germana, sinto muito a falta de vocês! >.< 

Pena que eu não possa ficar recebendo tantas visitas quanto gostaria. Estou cheia de restrições. Mas só de saber que não esqueceram de mim, já fico contente!

Agora tenho que partilhar com vocês o que me aconteceu desde a última postagem. Foi muita coisa, nem acho que seja necessário detalhar tanto, pois vai ficar longo (o que não seria grande novidade.. ¬¬').

Eu cheguei a comentar com algumas poucas pessoas que era candidata a participar de um procedimento médico que tem sido adotado em casos de linfoma e leucemia e tem dado muitos resultados positivos. Trata-se do "Transplante Autólogo de Medula Óssea (TAMO)", que consiste nas seguintes etapas:

  • Aférese (mobilização e extração das células tronco do paciente);
  • Congelamento das células;
  • Internação em regime de UTI;
  • Quimioterapia em altas doses (que leva à destruição da atual medula do paciente);
  • Transplante (aquelas células tronco coletadas são finalmente implantadas no indivíduo, o que, de certa forma, significa que o paciente nasce de novo, com uma nova medula, equivalente à de um recém-nascido).

Após o transplante, ainda é necessário continuar por mais 14 dias internado, sob acompanhamento constante de enfermeiros. Quando o paciente recebe alta, a medula já está funcionando, totalmente integrada ao organismo. Mas são exigidos pelo menos 100 dias de cuidados extremos, como: ficar todo tempo de máscara, não pegar sol de jeito nenhum, não ter contato com nenhum animal de estimação/bicho de pelúcia (no caso, eu teria que me desfazer dos meus gatos por pelo menos 6 ou 8 meses, dependendo do que o médico dissesse), ficar sempre em ambientes ventilados e limpos com panos úmidos, não varrer o local com vassoura e sim com um pano umedecido (pois a vassoura levanta poeira), etc etc etc. Muitos cuidados, pois qualquer descuido atinge proporções ampliadas, já que se trata de uma nova medula, sem muitas defesas a infecções e vírus corriqueiros. Dá uma trabalheira danada!

Eu já tava me acostumando com essa ideia. E até tava gostando porque teria uma medula saudável e livre do câncer. Eu seria literalmente uma nova Mara!

Mas... E sempre tem um Mas...

Vou contar do começo. Acabei tendo que fazer outro ciclo de quimio, acreditam? Em pleno carnaval, lá estava eu, de novo no ICC; passei o ciclo inteiro internada. Na minha última tomografia, um avanço: o tumor regrediu. E meu oncologista queria reduzir ainda mais para que eu ficasse uma candidata ideal ao TAMO, por isso esse ciclo surpresa aí. Quando acabou, passei pelos mesmos efeitos. Sofri e vomitei pra caramba, fiquei fraca e com mucosite. Mas as mazelas duraram só por 3 dias. Aí, na terça dia 23-02, fui novamente ao ICC colocar um catéter numa veia femural (virilha). É um procedimento com anestesia local e correu tranquilamente, quase não senti nada. É por esse catéter que eles fazem o recolhimento das células tronco (chamadas de CD34), através de uma máquina chamada de máquina de aférese, que fica lá no Hemoce - onde todo o procedimento do transplante é coordenado, por uma equipe muito qualificada, composta por 4 médicos. 

O TAMO já foi feito aqui no CE com 10 pacientes, todos com êxito absoluto. Eu seria a primeira paciente a ser submetida ao TAMO com tumor sólido (ovário). Tinha tudo pra dar certo.

Na quinta, veio a bomba.

Durante a semana fiquei tomando injeções que estimulavam o crescimento e mobilização das células, aumentando a imunidade. Meus leucócitos estavam lá em cima, mas eles precisavam era das células CD34 para que eu fosse para a máquina de aférese. Pelo menos umas 10, 15 células. Só que comigo nada tem sido fácil: meu organismo não produziu nenhuma célula. NENHUMA.

Os médicos desistiram de continuar estimulando, fiz vários hemogramas mas nada deu certo, nem mesmo aumentar a dose das injeções. Retiraram o catéter na quinta-feira. Não me disseram o que vai ser feito agora, que o plano B falhou.

Por enquanto não tô querendo pensar nisso, sei que a resposta vai aparecer, deve ter algo muito grande guardado pra mim, não é possível! Senti aquele clima de frustração entre a equipe, uma das médicas até lamentou baixinho "puxa, que pena... tinha tudo pra dar certo...".

Eu não vou desanimar agora, não posso. 

Terei consultas pela frente e acho que em breve saberei o que estão planejando pra mim. Acho que meu oncologista mordeu a língua quando disse que meu caso era simples. 

Qual minha missão aqui? O que andei aprontando em outra vida para estar passando por tudo isso? 

Será que preciso fazer regressão pra descobrir? Hehe.

É galera... Essa bomba quase me derruba, mas ainda não foi dessa vez que conseguiram acabar com meus sonhos. Eu vou vencer, não queria que demorasse tanto mas... Uma hora eu chego lá!

Obrigada a todos pela força, só não agradeço a um por um porque fico muito cansada, mas sintam-se devidamente abraçados, tá? ^^

Por hoje é só! ;***


3 comentários:

Aline Moura disse...

Olha, se há um motivo especial para você existir pode ter certeza que é algo muito grande e maravilhoso. Cara, é incrível como, por mais problemas que apareçam, você sempre pensa positivo e continua em frente. A maioria já teria desistido muito antes. Muita gente se acha forte, mas passa a vida sem enfrentar problemas realmente desafiadores. Aqueles que parecem uma fortaleza, poderia facilmente se desmanchar como um castelinho de areia diante de tudo que você estar passando. É com pessoas como você que enxergamos o que o ser humano tem de maravilhoso...

Elson disse...

Oi Mara!
Realmente parece até comigo sempre tem um "mas" para importunar.
Mas espero que tenha algum jeito de resolver a situação, detesto ver uma amiga e logo tão querida por mim ( mesmo que a gente não tenha tanto tempo de convivência e nem de conversa ) sofra o que sofre, mas também desanimar não é o caminho voce esta certa em ir em frente e chutar ( desculpe o linguajar que vou usar agora ) as bolas do problema que te aborrece tanto, sei que voce vai passar por cima desse problema e um dia quando comentarmos disso só sera uma lembrança de tempos atras.

Te adoro muito amiga estou torcendo como sempre na arquibancada.

R. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.