27 março 2010

Uma questão de Consciência

Essa postagem não é sobre mim, mas sobre todos nós.

Vamos participar de mais essa campanha super importante do Greenpeace e evitar que o desmatamento continue sendo incentivado.

Assistam ao vídeo:


Por favor, participem!

Eu já assinei essa ideia e estou repassando.

Se você também se importa, faça o mesmo.

http://greenpeace.org.br/kitkat/

Clique no link acima, preencha o formulário e envie. Não vai levar mais do que dois minutinhos do seu tempo.

O planeta agradece.

=]

22 março 2010

Frivolidades


Fazia tempo que eu não colocava alguma foto minha. Desta vez, nenhuma antiga ou usando peruca, mas a que mais se parece comigo atualmente.
Esse cap branco eu uso taaaanto quando vou ao Instituto do Câncer que o povo lá já me reconhece logo. E vivem perguntando onde comprei. De onde veio esse, veio também um azul marinho, que sei que vou usar bastante quando tiver cabelo outra vez, porque vai dar mais volume e vai ficar mais legal. Depois vou tirar uma foto com ele pra vocês verem como tenho razão. Minha cabeça é muito achatada nas têmporas, nunca pude usar daquelas tiaras (também conhecidas como gigolés aqui no Ceará), porque sempre ficava faltando 'conteúdo' para preenchê-las. Esse bonézinho veio da Itália, ganhei de presente da minha amiga que mora lá.

Dá pra notar que estão me faltando as sobrancelhas. Onde elas costumavam existir, está um pouco esbranquiçado, porque é uma parte do corpo que não é muito afetada pelo Sol. Praticamente todos os pacientes do ICC também têm essa região mais clara que o restante da face. Eu reparo muito nas pessoas quando estou disposta. Não quando estou sob efeito das quimioterapias, elas me cansam muito, guardo energia para me levantar quando tenho que ir ao banheiro e mal, porque não sobra pra mais nada.

É legal não ter pelos nos braços, nas pernas e nas axilas, me poupa um trabalho que eu não gosto mesmo de ter: depilação. Não, eu nunca depilei os braços. Mas eles ficam mais bonitos sem a camada de pelos, isso é.
Dizem que a serventia desses pelos maledettos é amortecer pancadas. Talvez seja mesmo. Mas nem por isso as mulheres deixam suas pernas peludas para demonstrar que se preocupam muito com tal amortecimento e pouco com a opinião dos homens. A opinião dos outros (não só dos homens) sempre acaba ganhando a disputa. A perna pode até ficar com um hematoma sério, desde que esteja lisinha. He he.

Conheci uma moça no ICC que está começando o tratamento quimioterápico para Ca. de mama. O cabelo dela tá caindo, mas ela usa lenço. E no dia em que a vi, estava muito bem maquiada. Lembrei de mim, quando fiz o primeiro protocolo de quimio, no ano passado. Eu também usava lenços, passava maquiagem. Me arrumava para ficar horas sentada numa poltrona recebendo o medicamento na veia. Por quê??
Só pra depois ter o trabalho de remover a maquiagem.

Hoje em dia, mal acordo, como alguma coisa, ponho a roupa mais fácil que tiver ao alcance (geralmente a Swu que escolhe) e complemento o visual colocando o cap branco ou a boina azul. C'est fini. Depois é pegar o táxi com a mamis e ir pro hospital. É assim que as coisas são.
E no tempo que eu dedicaria me ajeitando, aproveito para ficar mais tempo deitada, observando minha mãe se enfeitar. Acho fofo vê-la aplicando a sombra e depois vindo me mostrar, perguntando se está bom. Sempre está.

Algumas pessoas dizem que não é bom deixar de lado a vaidade. Que eu não posso perder minha feminilidade só porque não estou nos meus melhores momentos. Até cílios postiços já me recomendaram utilizar. 

Eu compreendo o choque de alguns perante minha atitude tão relapsa em relação à minha aparência. Assim como percebo que outras pessoas querem me convencer de que nem tudo está perdido, que uma boa make up vai realmente elevar minha autoestima. 

Mas essas pessoas não fazem ideia do que tenho passado. Uma única sessão de QT é capaz de acabar com o ânimo de qualquer indivíduo. Se eu fico sem condições de comer, falar, andar, como poderei ter energia para me embelezar, colocar cílios postiços (que eu nunca usei na vida)?? E usar peruca todo tempo, que é mais uma dica que me deram? Aquilo esquenta e dá um trabalhão pra ficar bem colocada que não é brincadeira! 

Obrigada, mas declino dessas sugestões.

Me arrumar pra quê?

Quando eu quero variar um pouquinho, aí sim. Me arrumo dignamente. Mas dá tanto trabalho fazer essas coisas que antes eu fazia com a maior facilidade do mundo, que geralmente acho mais cômodo apenas colocar o cap e pronto!

Só esclarecendo que eu aprecio a boa intenção das pessoas que me aconselham. E eu me arrumo ainda, quando surge uma oportunidade bem vinda. 

Apenas não quero, definitivamente, me olhar no espelho e ver o caos que estou. Não é hora para pensar nos cabelos que cairam. 
Meu foco é pensar nos cabelos que ainda estão por nascer (e espero que tão lisos quanto costumavam ser). É pensar na minha cura, na minha saúde. Minha aparência física? Sim, é importante. Porém, quando eu estiver plenamente saudável para cuidar dela. 


E, a propósito, reencontrei velhas expressões faciais. É o sinal de que algo está mudando. Pra melhor.

Boa semana a todos!

14 março 2010

Melodias pra nunca esquecer

A melodia que eu sempre esperei ouvir, que me fez sorrir e ter vontade de chorar. Me deixou arrepiada, causou um aperto no peito. Fez minha alma feliz.
Já sentiram isso ao ouvir alguma música?



Essa semana que acabou de acabar teve de tudo, inclusive a descoberta do gênio francês que compôs as melodias mais incríveis que já ouvi na vida. Mas vamos por partes.

Na quinta eu iria fazer as tomografias, não fiz. Houve um problema no papel de encaminhamento do ICC ao César Cals que resultou no adiamento de tais exames. Vai ficar pra próxima, espero. 

Meu irmão teve surpresas desagradáveis: bateram no carro dele, quase levam a porta do passageiro. Gastos não planejados, para quem já anda tendo muitas contas a pagar.

Tive consulta no Hemoce, na quarta (10-março). Fiquei muitas horas esperando ser atendida, e todo esse aborrecimento para, na hora que chamam meu nome, o médico dizer tudo que eu já sabia. T.T
Foi uma consulta que levou por volta de 3 minutos. Podia ter sido feita por telefone. 
A única coisa que ele falou de nova é que talvez a possibilidade do TAMO não esteja 100% descartada, pois existe um novo método para estimular a mobilização das células-tronco, bem mais eficiente que as super citadas injeções de Granulokine. Mas, para tanto, a provável cirurgia precisa mesmo acontecer e o tumor ser totalmente removido. Vamos ver....
Confesso que já estava bastante conformada e satisfeita com o fato de não fazer o transplante de medula, por todos aqueles fatores que citei na postagem do dia 26 - clique para ler. As privações, os riscos de infecções,  a trabalheira pra minha família e, o pior, não poder mais ter gatos. Daí, de repente, quando aceito e acredito que exista alguma coisa melhor pra mim, o médico me vem com essa. Prefiro continuar pensando que não é isso que vai acontecer. Em todo caso, não sofro por antecedência. Né?

Agora, uma coisa que ocorreu na semana, e que foi realmente interessante, refere-se à Swu, minha maninha querida. Ela conseguiu uma bolsa de estudos para o curso de Psicologia!! =D
Estou muito feliz por isso, impossível mensurar. Esse acontecimento foi a salvação dos últimos dias, sem dúvida.

Entre outras coisas que não cabe aqui comentar, uma em especial já faz parte daquele cantinho da memória que nunca, jamais, é apagado. E isso faço questão de compartilhar com vocês. 
O nome dele é Yann Tiersen.
Eu já tinha ouvido algumas de suas músicas porque meu filme preferido ("O fabuloso destino de Amélie Poulin") tem a trilha inteira composta por ele. Mas eu nem desconfiava. Outro filme o qual ele assina a trilha sonora é o "Good Bye Lenin!", que é bem interessante, por sinal.

Mas não adianta dizer o quanto ele é bom nem o quanto eu passei a idolatrá-lo.

Selecionei duas melodias deliciosas. Depois opinem se o meu gosto musical é muito diferente do de vocês.

Respirem fundo. Eis as obras: 






Bom, queridos, vou concluindo por aqui.
Espero que tenham apreciado o som de alto nível!
Ah, e obrigada aos que lembraram do meu níver. Mesmo depois da data, não importa. Eu não ligo pra essas coisas, mas mesmo assim fiquei lisonjeada com as homenagens que recebi. De verdade.

=)

04 março 2010

Pra ser grande, é preciso pensar grande.

Créditos ao fotógrafo Rodney Smith


Porque será que eu não posso mais fazer planos?

Essa indagação tem me rodeado desde minha última consulta ao ICC. Foi na terça, dia 02 de março.
A novidade agora é que talvez eu faça uma nova cirurgia. Foi só eu ouvir meu oncologista dizer isso que, na mesma hora, eu sorri. Sabe aquele sorriso sarcástico de quem está começando a sacar o próximo passo do inimigo? Pois é, esse mesmo.

Mas o inimigo maior que tenho enfrentado sou eu mesma. Preciso estar sempre controlando minha mente para que ela não deslize rumo ao abismo que muitas vezes sente-se empelida a ir.
É uma luta diária, constante.

Quanto a essa nova cirurgia (a terceira, na teoria, mas a quarta em termos práticos - para quem leu como tudo ocorreu na segunda cirurgia, sabe do que estou falando. Clique aqui para ler a postagem em questão), ainda não é certeza absoluta que irá acontecer, tudo vai depender de novas tomografias que farei e de uma conversa que meu médico terá com o meu cirurgião. Tudo isso porque, na laparotomia a que fui submetida em julho de 2009, não foi possível remover o tumor que se encontra entre o pulmão e o fígado, por se tratar de uma área de risco. No entanto, meu oncologista acredita que agora isso pode ser viável, já que fiz 4 ciclos pesados de Quimioterapia e o tumor regrediu. Vamos ver no que tudo isso vai dar.

Confesso que não tenho medo de uma nova operação. O que me incomoda é o fato de ela não ser definitiva, pois ainda terei que fazer mais quimio. Fico me perguntando, mas sem blasfemar, claro: "Até quando??".

Já estou me preparando psicologicamente para esse processo cirúrgico que, provavelmente, virá. E, de qualquer jeito, é algo bom, pois vai retirar o tumor. Devo sempre olhar as coisas pelo lado positivo, na minha eterna luta para não desanimar, não deixar a derrota tomar conta de mim.

Como diz meu irmão, não tenho que me preocupar com os planos que não derem certo, por agora. Minha única preocupação deve ser minha saúde, o resto vem depois. Um dia eu volto a ter vida ativa, volto à minha faculdade, aos meus cursos... Se não for no próximo semestre, será no ano que vem. Tá mais perto do que longe, é nisso que preciso crer.

E deixar de sonhar, jamais.