06 novembro 2010

Uma pessoa que todos deveriam conhecer

Hoje escrevo para vos contar a história de uma garota que conheci recentemente. 

Ela é estudante de Pedagogia, tem por volta de 23 anos. Não é alta, tem os olhos verdes e os cabelos castanho-claros. Assim que fui apresentada a ela, notei um desvio no olhar e, com mais atenção, reparei que ela mal conseguia me ver: possui uma deficiência na visão.

Depois de poucos minutos de conversa, fui descobrindo que o problema na vista era irrelevante se comparado aos tantos outros problemas que aquela guria enfrenta:

Com 11 meses de vida, a mãe dela reparou que havia algo 'diferente', e começou a levá-la a diversas consultas. Os médicos não descobriam nada e ainda diziam que era cuidado excessivo da genitora. Inconformada, a mãe viajou para Curitiba, Belo Horizonte, São Paulo, Porto Alegre (etc), sempre em busca de respostas que pudessem aliviar o coração aflito de quem sente que tem algo acontecendo, embora não saiba explicar.

Com 6 anos de idade (!) a criança foi levada aos Estados Unidos e, só então, as respostas começaram a aparecer.

Neurofibromatose Tipo 1 é o nome da doença. Um tumor cerebral teve de ser retirado com urgência, quimioterapias intensivas foram feitas, muitos estudos e a constatação de que, anualmente, a menina teria de ser submetida a cirurgias.

Em consequência do diagnóstico tardio é que a visão foi prejudicada e o desenvolvimento cerebral ficou danificado, acarretando dificuldades de aprendizado. Mesmo assim, essa garota que teria mil e um motivos para se desesperar optou por agradecer a Deus a oportunidade de evoluir através da Dor e do Amor.

Por que eu passei a admirar tanto essa pequena? Porque ela participa de trabalhos voluntários com pessoas portadoras de retardo mental, trabalha na brinquedoteca da faculdade cuidando de crianças e ainda é monitora de um projeto voltado ao ensino diferenciado! 

Essa garota que não consegue pegar ônibus e nem mesmo atravessar a rua sozinha, deveria ser um exemplo perante o qual deveríamos nos espelhar. Entretanto, ela ainda enfrenta preconceitos por onde passa, especialmente na faculdade. 

Nas cirurgias a que me referi (realizadas anualmente), são removidas das pernas dela diversas lesões que, ao não serem tratadas, evoluem para o estado de neoplasias. Não entendi muito bem como essa doença age mas,  independente da minha ignorância quanto a isso, o fato é que se trata de uma doença raríssima, acontece na proporção de um a cada 3.000 ou 4.000 nascimentos, sendo que metade dos casos são mutações novas

Infelizmente, a ignorância e, porque não dizer, maldade de certas pessoas, acaba por transformar a vida dessa adorável garota numa luta ainda maior. Isso que vou relatar a seguir fiquei sabendo por uma amiga dela (porque ela jamais iria contar tal fato, vitimizar-se não é algo que combina com sua personalidade): certa vez, uma mulher chegou para tirar satisfações com ela dizendo que não era obrigada a olhar para aquelas pernas horrorosas, e exigiu que a menina parasse de usar shorts. Vocês acreditam numa coisa dessas?

A resposta dela foi: Eu gosto de usar shorts e vou continuar usando, você não é obrigada a olhar para minhas pernas.

Fiquei chocada ao saber que muitas pessoas se afastam dela, se levantam do banco quando ela senta, entre outras situações absurdas que demonstram que muitos desconhecem a Lei  de Causa e Efeito, a Lei que rege o Universo. 

Tudo que você faz, volta para si, nessa ou noutra Vida. 

Agora vocês também podem dizer que conheceram uma garota fantástica. Uma Luz que, por onde passa, ilumina a todos. Os que não conseguem perceber isso é porque, certamente, ficaram ofuscados.


3 comentários:

Elson disse...

Realmente não só nesse pais, mas no mundo todo encontramos esses preconceitos, de tantas formas e tamanhos, tem gente que mesmo sendo não admite ser preconceituosa, eu mesmo sou um pouco em relação a fumantes (se bem também porque não consigo chegar perto por causa do cheiro que ele exalam).
Mas realmente vejo gente que mesmo na dificuldade não tenta evoluir, culpa tudo e a todos até joga a responsabilidade sobre outras pessoas sempre dando a desculpa que sua deficiência é a causa, mas, não percebe que a real deficiência é na própria cabeça da pessoa!
Se essas pessoas tem preconceito pela estado de sua amiga, então essas pessoas tem deficiência, são mais cegas do que ela, não vejam ela pelo que ela é mas sim pelo que ela aparenta!

Beijos amiga dê noticias!

Felipe disse...

Mara, sinto saudades de vc, como vc vai? sempre venho por aqui. mas hoje tomei coragem e decidi escrever algo. essa ultima postagem me deixou triste, prefiro nao comentar, mas rezar pelas pessoas que nao entendem a vida das outras. Acredito fielmente na Lei que rege o Universo.

Tudo que você faz, volta para si, nessa ou noutra Vida.

Espero que vc esteja bem, mande noticias p meu email? seria pedir demais? espero q nao, bjao


Felipe Araujo

Michele disse...

Eu não consigo entender como tanta gente nesse mundo pode ser tão voltado pro próprio umbigo. Falta amor nas pessoas, falta respeito. Olham uns para os outros como rivais num ringue de luta e nem passa pela cabeça que o outro também é um ser.
É uma evolução tão lenta... eu fico pensando em quantos milênios vai demorar para que essas mesmas pessoas que tratam mal os outros, que olham com repúdio e ignorância vão levar para serem pessoas completamente puras e amáveis.