10 janeiro 2012

I have to go


-Eu tenho que ir. Por favor, solte minha mão, me deixe partir. Você não vê que é melhor assim? Quantas vezes já disse adeus e você recusou-se a ouvir? É hora de me escutar, pois não direi mais nada. Estou cansada, não quero dar satisfações, já fui tola demais. Ninguém entende o que se passa comigo, e não sou capaz de explicar, mas preciso de tempo, e distância. Preciso ficar só. Eu sou um ser solitário, sempre fui. Todas as tentativas de permanecer foram um fracasso, e só nos causaram dor. Se você me quer bem, me deixe ir.

-Não faça isso, não é fugindo que vai conseguir se encontrar. Quando você voltar, seu Caos estará te esperando. Podemos tentar juntos, mais uma vez. Não vês que mudei? O tempo passou, amadureci, sou um outro homem. Me dê uma chance de te mostrar isso.

-Não se trata de fugir, se trata de buscar um novo lugar pra mim. É incrível como você não enxerga a realidade. De quantas chances ainda precisará? Isso não é um jogo, na Vida Real ninguém vai te dar tantas explicações quanto te dei. Eu poderia ter feito tudo diferente, mas tentei ser suave. Meu erro foi ter sido suave demais.

-Suave? Você ignora que eu existo.... Isso é ser gentil pra você? 

-Honestamente, não tenho que continuar te dando respostas, procure-as dentro de si, eu não farei esse papel. Você me colocou num lugar que nunca foi meu, você não sabe quase nada a meu respeito. Como podemos ter algo em comum se nem ao menos sou capaz de te reconhecer na rua? Você é um completo estranho pra mim. Um estranho que não se ama o bastante para perceber que meu "suposto ignorar" não passa de um olhar padrão, doado a todos que não conheço. Se eu soubesse quem você realmente é, certamente demonstraria, talvez sorrisse, mas jamais agiria como se você não estivesse ali. Ah! Que saber? Pense o que quiser, é seu direito. 

-Então você não percebeu que era eu? Mas eu não mudei tanto assim.

-Nem sei de que dia você está falando, sério. E se não te reconheci, isso só transparece ainda mais o quanto estamos fora de sintonia. Minha alma não captou a sua. Sinto muito. Já se passaram tantos anos, porque você não desiste, deixa essa história pra trás? Por favor. Liberte-me de seus pensamentos.

-Eu nunca consegui te esquecer. Parece uma doença - e não quero me curar. Você tem sido cruel demais, não sei porque ainda te procuro... É algo mais forte do que minha razão; inexplicável! Como faço para soltar sua mão e continuar existindo? Eu poderia te fazer a mulher mais feliz do mundo... Tantas gostariam de ouvir isso de mim, mas reservei essas palavras a ti, que me despreza. Você não merece meu Amor, sinto ódio de mim por te querer tanto!

-Sabe qual é o fim de um paciente terminal que não quer se tratar? A morte. Eu não quero que você morra, mas se eu ficasse com você, certamente eu morreria. Não quero alguém que me ame de forma doentia, talvez isso agrade a algumas mulheres, mas não a mim. Só de abrir espaço a você já me sinto aprisionada. É tóxico. Cure-se de sua alucinação, você vai enxergar que não tenho nada de extraordinário, apenas te dei um não inesperado e isso te deixou intrigado. Foi só isso. Siga em frente, é o melhor que tens a fazer. E quando estiver curado, você vai entender que tudo que fiz foi te dar um horizonte. Pare de querer aquilo que não pode ter, apegue-se a tudo que você pode conquistar.

-É doloroso demais saber que você nunca mais será minha.

-Eu nunca fui sua. Esse é seu delírio, acreditar que pessoas podem pertencer a outras. Eu sou livre, isso é muito claro pra mim. Quem está acorrentado aqui é você: ao passado. Liberte-se então. Só você tem esse poder. 

-E sua amizade? Nem ela você pode me oferecer? Como isso pode ser bom e certo? Não faz sentido! Você fala coisas que não consigo enxergar, é tudo absurdo demais.

- ...

-Responde! Por favor, me fala que isso não vai durar pra sempre. O futuro é imprevisível, como você pode saber o que é melhor pra mim? 

- ...

-Não vai mais falar comigo? Então começou a me ignorar mesmo??! Isso é tão infantil de sua parte. 

- ...

-Engraçado, você se gaba de ser muito madura, né? Quanta maturidade em se fazer de muda!

- ...

-Por que você tá me olhando assim? Fala comigo, me deixa ouvir o som da sua voz! Não vai agora, eu não terminei de falar! Volta aqui!