03 janeiro 2012

Tiros na cidade


Para quem acompanha as notícias dos últimos dias, o que irei falar a seguir não há de surpreender:

Fortaleza se tornou o palco da maior falta de respeito à população, por parte dos governantes que deveriam cuidar e preservar a dignidade dos cidadãos que, ilusoriamente, os colocaram no Poder, com esperanças de alguma mudança efetiva no cenário político de nossa cidade. 

Greve

Com a greve dos policiais militares, que já dura seis dias, o clima de pânico se instalou por todos os lados. Ontem houve um "arrastão" no centro comercial do meu bairro. A avenida foi surpreendida por um grupo de homens armados que saquearam todas as lojas que encontraram no caminho. Os lojistas que conseguiram, fecharam as portas em tempo de evitar maiores danos. Mas muitos não tiveram a mesma sorte.

Há pouco, ouvi tiros perto da minha rua. Dois - e passos apressados estremeceram o asfalto. Depois mais dois e, por fim, mais um. Minha mãe correu para espiar do portão, outros vizinhos fizeram a mesma coisa. Todos se entreolharam rapidamente e já voltaram para suas tocas. Ninguém quer ser a próxima vítima.

Faltei à aula de segunda-feira à noite pela insegurança de ficar na parada do ônibus, e se eu tivesse me arriscado, teria ficado exposta ao perigo justamente no instante em que estava ocorrendo o arrastão. Nessas horas é melhor não pagar para ver.

As ruas da cidade estão desertas; impera um clima apocalíptico que assombra a todos e faz a alegria daqueles que monstruosamente estão tirando proveito do Terror generalizado. 

Os policiais estão certíssimos em lutar por seus direitos, apesar de ainda não ter entendido como eles conseguiram encontrar essa "brecha" na lei, visto que a Constituição Federal, em seu artigo 142, § 3º, IV - estabelece que "ao militar são proibidas a sindicalização e a greve". Se alguém acompanhou o início desse movimento e souber alguma coisa, não deixe de comentar, por favor.

Mas o fato é que tudo isso levantou uma grande revolta, facilmente visível nas redes sociais. O que encontrei, há alguns minutos, fazendo uma busca pelo nome do governador Cid Gomes, foi essa imagem (clique para ver).

Me deixa perplexa ver o quanto as pessoas são capazes de criticar, se empenhar em fazer montagens, dedicar horas a falar mal do Governo mas, na hora de agir, todos preferem se esconder, ficar em casa esperando que tudo se normalize.

Particularmente, enxergo este momento de indignação como uma oportunidade perfeita para que todos tirem do Poder o nosso excelentíssimo governador, já que ninguém se mostra satisfeito com essa falta de respeito absurda que vem se repetindo e se fortalecendo desde a greve dos professores, no ano passado.

Eu não quero que tudo se normalize, não quero que as coisas voltem a ser como eram, pois elas não estavam boas! É tempo de mudança, mudança de verdade.




4 comentários:

Michele W. disse...

Hoje de tarde mesmo a filhinha do Paulo, que está em Fortaleza, ligou pra ele e em seguida ele me contou sobre o caos que estava por aí (fecharam o centro da cidade, o exército aparecendo para salvar os turistas e a população da cidade completamente à mercê da violência).
Fiquei estarrecida, porque não acompanho muito os jornais e você não tinha me comentado nada, mas é realmente um absurdo. Aqui tivemos a greve dos militares também no final de 2011. Foi um terror só.
E por incrível que pareça, apareceu até um grupo de militares que faziam terrorismos para pressionar o governo, é o cúmulo dos cúmulos mesmo. Nessas horas a primeira coisa que me vem a mente é "Deus, leva esse povo todo duma vez", e não consigo evitar. É muita miséria de caráter, é muito desgosto para uma raça inteira.

Lucas disse...

Mara, eu acho que a divulgaçao de imagens pela internet é sim uma ação, da mesma forma que as pichações, distribuições de panfletos ou publicação de charges, essas imagens são a expressão de pessoas que não acreditam nos meios oficiais de reclamação, elas ajudam a colocar o assunto em pauta e contribuem para a formação da opinião da mesma forma que a publicação de um texto.

Já vi no facebook duas imagens que estão sendo muito compartilhadas, chamando a população a exigir o impeachement do Cid (a mais compartilhada é pra essa quinta-feira). Em 2011 o facebook e o twitter, se firmaram como instrumentos políticos durante as revoltas no Egito, a polêmica do Wikileaks, os "riots" na Inglaterra, no meio do ano, e o movimento Ocuppy em Nova York (os dois últimos não foram cobertos devidamente pela imprensa, pelas suas motivações embaraçosas aos governos). A internet está se tornando cada vez mais assustadora, para os políticos.

A violência do que está acontecendo é lamentável, mas a reivindicação dos policiais é justa. E eu fico feliz em ver que as pessoas perceberam que o culpado é o péssimo político Cid, ao invés de chama-los de preguiçosos, como aconteceu com os professores estaduais e os motoristas de ônibus. Esse aí não se elege mais nem como funcionário do mês em lanchonete!

Thiago N. Raulino disse...

Em relação a "brecha na lei", eles não acharam, é tudo na cara e na coragem - por isso que eles exigem tanto a anistia, pois sem ela é demissão por indisciplina na certa!
Também acho que este é um momento de virada, um momento em que a população de Fortaleza, usando a internet como arma, tem a oportunidade de mostrar sua vontade a esses políticos que insistem em trair nossa confiança!
Bem, me desculpem a empolgação, mas a situação exige. Até quando iremos tolerar!?

Elson disse...

Bem realmente por causa desses arrastões deixei um monte de coisa que iria fazer ontem, deixei tudo para hoje e queria fazer coisas hoje, e no caso me atrasou e muito, e ainda tem esse fato que pelo que me disseram que certo lugares estavam com até a força nacional em guarda mas e o resto dos lugares?
Para ver quais são as prioridades do nosso governo.
E ainda ter que aturar certas pessoas que ficam no facebook dizendo mil coisas, ou censurando, ou censurando outros, mas nada fazem só fazem "postar", tenho que falar somos palhaços, porque todos tem coragem de falar no facebook mas não vejo muita gente falar e protestar na frente de nossos governadores.