07 março 2012

Um chamado


Hoje foi dia de consulta no Hospital do Câncer. Há apenas alguns minutos eu cheguei em casa e vim logo atualizar o blog, afinal, já estava na hora.

Sempre relutei em voltar ao ICC, com a justificativa de que ali tem uma energia pesada, de sofrimento, que não me faz nada bem. No ano passado eu não pisei lá sequer uma vez. Mandava os resultados dos exames por e-mail, ao meu oncologista. Ele dizia que estava tudo bem, então era perfeito dessa forma.

Porém, no último e-mail que mandei a ele, recebi uma espécie de puxão de orelha.
"Maraysa, você tem que aparecer aqui de novo, preciso avaliar seu estado, te examinar pessoalmente. Não dá para ficar só pela internet!" Mais ou menos assim.

Fiquei chateada, mas entendi que ele tinha razão. 

Ao chegar lá no Hospital, me preparei mentalmente para subir ao 5º andar. O fatídico andar, lembram? Era lá que eu tomava os medicamentos da quimioterapia, por horas a fio. Não demorou muito tempo e logo eu reencontrei algumas enfermeiras que cuidaram de mim. Trocamos abraços carinhosos e eu recebi muitos elogios. Elas são uns amores, sou grata por todo o afeto com que me trataram.

No consultório, o doutor falou que eu estava ótima, registrou tudo no meu prontuário e me passou uma lista de exames para fazer, por prevenção. Ao sair de lá, fui de encontro a outras enfermeiras, que estavam nas salas de Quimioterapia, fazendo seu trabalho. 

Lá, minha atenção foi atraída a dois pacientes específicos: uma mulher e um homem, que estavam em poltronas vizinhas.

Conversei com ambos e contei um pouco da minha história. Percebi que eles estavam interessados pois me fizeram várias perguntas. Senti que deveria divulgar meu blog e fiz mais que isso, passei meu e-mail e telefone. Peguei os nomes deles e os tipos de tumores com os quais sofrem. Trocamos experiências, falei de como consegui me curar, foi mágico. É como se eu estivesse fazendo exatamente o que deveria fazer. 

Nunca esquecerei as palavras que trocamos, e como aquela mulher se emocionou quando afirmou que não tem ninguém para cuidar dela. Ela vai e volta sozinha para casa, de topic. Fiquei com o coração acanhado, eu sempre fui e voltei de táxi, e minha mãe nunca saiu do meu lado... Sou uma pessoa de muita sorte. 

Não sei se fiz o certo, mas perguntei se ela já havia pedido que alguém a acompanhasse. Para minha surpresa, ela respondeu que não. E ainda contou que, em outros tempos, era muito arrogante e talvez por isso estivesse pagando por ter tratado mal tantas pessoas. Porém, eu disse que ela não deveria se manter em silêncio, seria bom que ela pedisse ajuda, confessasse que se sente sozinha e certamente encontraria apoio de alguma parte que só está esperando um chamado. Falei que iria pedir a Deus que a ajudasse a usar as palavras certas, pois ninguém deveria estar sozinho enquanto passa por uma provação tão pesada quanto essa.

Ao terminar minha conversa com eles, encontrei outros pacientes e também troquei algumas palavras de encorajamento.

Foi um momento de muita Luz e Inspiração.  Acredito que minha visita não foi por acaso. Talvez eu tenha aparecido ali para dar mais Esperança àquelas Almas cansadas.

Mas sabe o que é mais incrível? Quem saiu de lá cheia de Esperança foi eu. Estender a mão, falar uma palavra amiga, semear o Amor... Isso é mais fácil do que pensamos.