16 junho 2012

Da série dos não ditos


Dia desses eu estava andando num coletivo e havia uma mulher de longos cabelos pretos sentada ao meu lado. Ela olhava fixamente pela janela, absorta em seu mundo particular. Eu ouvia alguma música em meu tocador de mp3 e também estava envolvida com meu próprio universo. Até então, nenhuma novidade.

De repente, os fios negros da senhorita começaram a fazer cócegas em meu braço. Eles dançavam sobre minha pele, causando uma sensação de coceira. Quem já passou por isso vai lembrar como é, e não é nada agradável.

Eu tentei me acomodar de um jeito diferente, de modo a não mais sentir aqueles fios enormes sapateando insistentemente sobre meu braço, mas não deu. Os fios sempre me alcançavam!

Comecei a formular a frase ideal, a maneira mais educada para lhe informar da situação:

- Moça, desculpe incomodar, mas é que seu cabelo está batendo em meu braço e.... 

Não, não está bom.

- Moça, por favor, a senhora poderia prender seu cabelo? O vento está fazendo com que os fios me chicoteiem e... 

Nada a ver!

- Err... Querida, seu cabelo é enorme, hein? Eu também já tive o cabelo grande, mas quando eu andava de ônibus, sempre o prendia, porque é muito deselegante submeter as pessoas que se sentam ao nosso lado a esse tipo de coisa e... 

Fala sério, eu não sei o que dizer a essa criatura! 

Inconformada com minha incapacidade de expressão, observei que chegara à minha parada. 
Peraí, motorista, vou descer!

Desci feliz da vida. Ainda bem que me mantive calada, afinal, quando não sabemos o que falar, o melhor mesmo é nada dizer. E embora o incômodo tenha sido real, pelo menos ele me deu uma ideia de postagem. ;)

Por favor, pessoas com cabelão, respeitem os braços alheios!


Um comentário:

Elson disse...

Bem nesse momentos tem que sermos tolerantes, melhor não falar nada, porque depois se ela não tem pelo menos uma certa educação, independente da situação que a pessoa passe ou não, sabe que aguento pessoas piores todos os dias né?
Beijos se cuida!