31 dezembro 2013

A melhor lição de 2013


Adoro esse clima de fim de ano. Sério, dezembro é o mês que mais amo, porque tem as férias, uma atmosfera festiva, luzes coloridas na cidade, brincadeiras de amigo secreto, e muitos sonhos para o ano que se aproxima. Na prática, é um dia após o outro e os chatos dirão que o Natal é uma invenção do capitalismo para consumirmos mais do que o normal. Mas, honestamente, só os insensíveis não conseguem perceber que acontece algo diferente nessa época do ano. 

Queria que todos os dias as pessoas pudessem desejar algo de bom para as outras, muito mais do que um bom dia. Em dezembro as pessoas desejam Feliz Natal e Feliz Ano Novo com um largo sorriso e bastante naturalidade. Parece que nos outros meses ficamos mais antissociais, ranzinzas, apressados. Até o bom dia esquecemos de desejar, muitas vezes. :|

Hoje é o último dia do ano e eu precisava registrar aqui alguns fatos que marcaram a minha caminhada em 2013: 


~Em junho conheci e comecei a frequentar o Centro Espírita João, o Evangelista (CEJE). Lá fiz amigos muito especiais, me engajei em alguns trabalhos da Casa, fiz cursos, aprendi, tive experiências memoráveis e dei um novo rumo à minha existência. Finalmente deixei de ser uma espírita na teoria e parti para a prática, e sou muitíssimo grata a todos os Espíritos encarnados e desencarnados que contribuíram para meu encontro com esse lugar tão pleno de luz e amor. Não tenho palavras para explicar o quanto cresci e mudei nesse curto espaço de tempo. Acho que nunca conheci tantas pessoas incríveis em minha vida, exemplos de humildade e benevolência que me esforço para seguir todos os dias.  

~Na busca por me encontrar, percebi que eu estava indo por uma trilha que não combinava comigo, focada no ganho salarial. Eu desejei ardentemente passar em um concurso público de altíssimo porte, cheguei inclusive a postar algo sobre isso aqui no blog. Fiz cursinho preparatório, investi rios de dinheiro em materiais e, mesmo com vários colegas enxergando um grande potencial em mim, ao longo dos meses eu fui perdendo a motivação e o interesse pela carreira pública. Ainda procurei outros concursos, li editais de áreas diversas, me inscrevi, fiz provas, mas ainda assim, o ânimo já não existia. Foi então que resolvi buscar a resposta dentro do meu Eu interior e ouvir o que Deus estava falando. Eu já sabia a resposta, só bastava ir adiante. Então, decidi, vou mudar de profissão, não vou pensar em concursos tão cedo, quero dedicar meu tempo a fazer o que eu já faço: ouvir as pessoas. Yes, that's it! Irei falar um pouco mais sobre isso em postagens posteriores. ;)

~Aprendi que uma amizade vale mais do que um ponto de vista e que eu preciso dizer mais vezes que não sou a dona da verdade. Eu sei disso, mas talvez alguns duvidem que eu saiba. Então, é válido enfatizar: não acho que sou melhor que ninguém por ser espírita, e desconfio daquele que disser o contrário. Apenas as ações podem falar sobre a conduta de alguém, jamais suas crenças. E digo mais: somente amizades verdadeiras resistem aos abalos da discordância, bem como são esses abalos que acabam por fortalecer os laços.     

~Não lembro se já falei aqui sobre minha dificuldade em demonstrar afeto. Eu tenho muito amor dentro de mim, mas nem sempre consigo deixar isso claro - o que é bem frustrante. Neste ano, porém, algo mudou. E foi na véspera de Natal que eu percebi que já tinha mudado, apenas não tinha me dado conta. Estava eu e mais uma centena de pessoas no centro da cidade, cantando músicas e vibrando positivamente. Era a 34ª edição da Caravana do Natal e nosso intuito era distribuir alimentos, roupas, brinquedos, calçados e mensagens natalinas para os moradores de rua. Eu cheguei bem cedo, com alguns amigos, e aos poucos outros conhecidos foram chegando. A cada rostinho familiar que eu encontrava, corria para abraçar. Abracei inúmeras pessoas ali - com vontade, com verdade. E foi então que ouvi algo que fez meu coração transbordar de alegria: Mara, como seu abraço é bom! Outros disseram a mesma coisa e isso me fez um bem indescritível. Logo eu, que sempre abracei com receio, que nunca queria incomodar, estava recebendo o prêmio de melhor abraço. :') Nada poderia me deixar mais feliz!


2013 foi um ano que me trouxe grandes ensinamentos, mas o que guardo com mais carinho são as pessoas que apareceram e certamente irão permanecer. Finalmente eu sinto que minha vida está no ritmo que deveria estar. Tenho mais serenidade, paciência, bom humor e sonhos, muitos novos sonhos!

Se você, querido leitor, estivesse aqui pertinho, ganharia um abraço apertado e um sincero voto de que, em 2014, sua vida seja, no mínimo, fabulosa!


06 novembro 2013

Divisor de águas

Há pouco tempo tomei a decisão de me tornar ovo-lacto-vegetariana, ou seja, não faço mais a ingestão de carnes mas ainda me alimento de ovos, leite e seus derivados. Não serei radical de me tornar vegana de um dia para o outro, tudo que é muito radical tende a não durar. Bebo leite quase todos os dias, virou um hábito bem firme na minha rotina alimentar, mas vou mudar isso e encontrar alternativas. Muitas pessoas intolerantes à lactose só ingerem o leite de soja e sobrevivem numa boa, porque eu não poderia? Tudo é uma questão de força de vontade! =)

Quando tava na faculdade, assisti a dois documentários: Terráqueos e A Carne é Fraca. Fiquei muito chocada na época, nem aguentei ver até o final, mas não consegui parar de consumir carne porque ainda era muito nova e não tinha forças para argumentar com meus pais, que se recusaram a me dar ouvidos. Eles diziam que nenhum ser humano pode viver sem carne. Será? Eu vivia tão cheia de coisas pra fazer que não lutei por esse ideal, depois adoeci e esse assunto foi deixado para o futuro.

Após me confrontar com um texto, enviado por um amigo (Obrigada, Gabriel!), resolvi não mais adiar o que para mim seria inevitável. Não quero mais ter um cadáver em meu prato. 

Esse mesmo amigo me mandou um vídeo chamado A Engrenagem (esse é curto, recomendo fortemente, não tem imagens impactantes e traz grandes verdades que você precisa saber), idealizado pelo Instituto Nina Rosa. Esse vídeo só reforçou minha decisão. O futuro chegou.

Já estou buscando receitas e lendo sites veganos, estou descobrindo um universo inteiro sobre o assunto! Com o decorrer dos meses, voltarei a falar sobre meus avanços, quero incentivar quem já se compadece de nossos irmãozinhos de jornada, pois tenho certeza que muitas pessoas sentem compaixão pelos animais e só não se tornaram vegetarianas por falta de apoio ou esclarecimento. 

Quem não puder ler o texto que foi o grande divisor de águas em minha escolha, vou colar abaixo alguns trechos para reflexão (com adaptações) :

Como poderíeis supor que o Deus de infinita misericórdia sancionasse a crueldade e a destruição injustificada de seus filhos menores, enclausurados temporariamente em estojos físicos de principiantes, como as criancinhas do jardim da infância do grande educandário dos mundos de matéria? Seríeis capazes de trucidar crianças pequeninas para atender a um prazer de matar, somente porque não podem defender-se? Pois o mesmo espanto e horror que essa ideia vos causa tomam os espíritos superiores quando estes assistem à carnificina diária que se comete na superfície do planeta para com os irmãos menores do homem – os animais. Olhai o fundo de seus olhos mansos, sem a arrogância dos fortes e a indiferença dos egoístas, e vereis ali cintilando o reflexo de uma alma divina, filha do Criador que também é o Criador da vossa; lereis o apelo silencioso dessas vidas que tateiam nos labirintos da consciência como criancinhas aprendendo a andar, a vos dizer: “Deixa-me viver para aprender a ser um dia como tu, que já foste outrora como eu”.
Inúteis serão os vossos apelos de paz, enquanto os cadáveres sangrentos de vossos irmãos menores quotidianamente atestarem que sois os mandantes da mais sanguinária das guerras, e a mais cruel, porque deflagrada contra indefesos sem o socorro da razão, por motivos fúteis, e tão somente em nome de um discutível prazer do paladar. 
Informai-vos bem para vos conscientizar de que a manutenção dos rebanhos para o consumo humano, além do espetáculo da crueldade e da indústria da doença que representam, são os patrocinadores da fome de milhões, da devastação e do desequilíbrio da natureza planetária. Ser um consumidor dos irmãos menores carreia ainda consigo a condição de depredador do planeta e conivente com a fome do mundo. 
O hábito, o prazer e a fraqueza são as justificativas que sempre nos oferecemos ante a dificuldade de mudar para melhor. Elas não nos livram de sofrer as conseqüências do pior que cultivamos.
O sangue derramado das espécies animais, em proporção sempre crescente, está transformando o planeta num gigantesco matadouro ambulante, que orbita no sistema fazendo ecoar os gritos de dor dos milhões de seres sacrificados diariamente à gula e à ganância humana. 
Espíritas: o conhecimento acentua a responsabilidade. 

Enquanto eu lia esse texto, lágrimas me vieram aos olhos e uma luz se acendeu em meu pensamento. Não tem porquê continuar me alimentando de algo que já não me fazia bem, e ainda compactuar com toda uma engrenagem maléfica que perpetua a ganância humana e a crueldade com nossos bichinhos tão queridos. Estou feliz por ter dado esse passo. 

OBSERVAÇÃO:
Quero deixar claro que não me tornei vegetariana para julgar quem ainda não consegue se desfazer da carne em sua alimentação. Não tenho esse direito e não acho que sou melhor que ninguém. Minha família inteira é adoradora de churrasco e não vou falar mal deles, mas apenas seguir com a minha opção, respeitando e desejando ser respeitada. Agradeço a compreensão. =)


25 outubro 2013

Quando não tem sentido

Andei pensando sobre como alguns acontecimentos não parecem ter um propósito muito claro em nossas vidas. Algumas pessoas que aparecem repentinamente, trazendo grandes novidades, mas se vão com a mesma rapidez com que chegaram. É até vertiginosa essa dinâmica.

Já me disseram que sou neurótica por querer encontrar um sentido em tudo, por não acreditar em acasos. Talvez eu tenha sido mesmo, mas hoje decidi que não vou mais enlouquecer com essa mania. Não quero mais encontrar uma razão para tudo, porque é muito provável que minhas conclusões estejam erradas.

Pior é que essas conclusões nunca são, de fato, concluídas. Estou sempre remodelando, refazendo e, no fim, a coisa vai ter o sentido que eu der a ela.

Chega de esperar um manual de instruções de como viver bem. Isso não vai acontecer. A vida vai continuar sendo essa vereda cheia de altos e baixos, incertezas, mágoas, alegrias, grandes dilemas. Não tem como agradar todo mundo. Como um conhecido meu falou: "nem J.C. agradou, imagina nóis."

Que tal viver mais e esperar menos?
Espere menos das pessoas e dos acontecimentos. Talvez eles te surpreendam, mas não fique contando com isso. Apenas viva, respire fundo, admire a beleza do céu, sonhe, realize. O mundo não acabou porque alguém não te compreendeu e virou as costas pra você. 

É a roda da vida; é um preparo para algo maior amanhã; é uma forma de você domar seu ego; é uma lição de humildade... É o que você quiser, afinal, somos indivíduos e cada experiência é sentida de uma forma muito particular. Seja qual for o propósito de algo que está te destruindo, aqui vai um consolo: vai passar.  

25 agosto 2013

O que dizer a pessoas doentes

Oi Amigos!

Há muito tempo eu vinha pensando em fazer uma postagem como a que farei hoje, mas sempre surgia outro assunto e acabei adiando.

Como vocês sabem, sou uma sobrevivente. Venci um câncer agressivo e hoje não tem quem olhe pra mim e imagine o que já passei (as únicas marcas aparentes são as cicatrizes na barriga). É sempre um susto quando, em raros momentos, comento com alguém. Chega a ser interessante observar as reações. Coisas que já ouvi: 

- Nossa, mas tão nova?

- Não pode mais ter filhos? Mas vai adotar, né?

- E hoje tá tudo bem com sua saúde? Tem certeza? Não corre nenhum risco, né?

- Preciso contar sua história para um amigo, ele tá precisando ter mais fé. 

Entre outras. 

Eu fico muito satisfeita quando percebo que o que passei tem utilidade para outras pessoas. Isso é muito gratificante! Alguns dias atrás eu me vi com vontade de reler postagens antigas, da tag Quimioterapia. Me surpreendi quando encontrei detalhes que eu jamais lembraria se não os tivesse anotado. E um post em particular me fez recordar que tem muita gente que, apesar da boa vontade, não faz a menor ideia de como lidar com um enfermo. Como não existem coincidências, nessa semana eu li um artigo na revista Seleções de julho/2013 que falava justamente sobre o apoio inteligente. Perfeito! Por isso estou aqui, quero esclarecer alguns pontos quanto ao estado psicológico de um doente e enumerar coisas que você jamais deve dizer a ele. 

NUNCA DIGA A UM DOENTE:

"Você está ótimo!"
Apesar da sua boa intenção, essa afirmativa significa o mesmo que "nem parece que você está doente". Meus caros, isso pode ser muito difícil de ouvir, porque acaba invalidando a dor de quem sofre. E se você afirma que a pessoa não parece sofrer, então ela não está tão mal assim ou, pior, está fingindo. Dica de ouro: não comente sobre a aparência do enfermo. Exceto quando você notar que ele precisa de um elogio, como quando eu melhorava dos efeitos da quimio e tinha vontade de me arrumar, passar maquiagem, até peruca eu usei algumas vezes. Nessas horas, SIM, eu queria que dissessem que eu estava bonita. Minha autoestima batia no pé, e eu havia me esforçado para parecer melhor. Mas quando estava realmente sofrendo, com dores, vômitos, eu iria detestar que alguém dissesse que eu estava ótima, porque era evidente que a pessoa não tinha o menor senso de observação.

"Pelo menos você pode aproveitar essas férias..." 
Ficar indo ao hospital todos os dias não tem nada de divertido. A rotina de um doente não passa nem perto do que se pode chamar de férias. Chegaram a me dizer isso e na hora eu apenas sorri. A pessoa queria que eu enxergasse algo de bom naquilo tudo, quase faltou afirmar que queria estar no meu lugar só para poder ter uma folga de tanto trabalho. Garanto que essa afirmação não teve nada de verdadeiro. Impossível alguém querer estar no lugar de um paciente oncológico ou que padece de doença crônica (como os hemofílicos), só mesmo quem adoeceu ou foi acompanhante de um paciente sabe o quanto é desgastante. O tempo que sobra é mínimo, porque o outro dia começa e a rotina não tem prazo para terminar. Não fale isso para um amigo doente, por favor. Ele pode estar deprimido com muitas contas (minha família gastou tubos de dinheiro com corridas de táxi e exames.) e se sentindo péssimo por não ter disposição para fazer algo que gostaria, como ler um livro ou ver um filme. O cansaço, os sintomas das dores, as preocupações... Nada disso faz a mente relaxar.  

"Você deve ter adoecido por causa do estresse. Tente ser mais tranquilo que você vai melhorar." 
Meu pai me disse isso logo que recebemos o diagnóstico. Vocês lembram como era minha rotina (faculdade, dois cursos de idiomas, núcleo de pesquisa em comunicação, morando longe de tudo, chegando em casa mais de meia-noite e acordando às 5h30 quase todos os dias), realmente era bem puxada. Mas eu ainda encontrava tempo para ver os amigos e dormia bastante no final de semana para recuperar o sono acumulado. Os tumores que cresceram em meus ovários foram o resultado de má formação celular, não tinha relação alguma com meu estado emocional. Vários oncologistas me disseram a mesma coisa. Nem mesmo com prevenção ginecológica eu poderia ter evitado, porque o teratoma cresceu dentro de 15 dias e duvido que alguém vá ao médico toda semana, só para procurar doenças. Portanto, não foi o estresse. Claro que ele pode agravar enfermidades, isso é um fato, mas muito dificilmente ele vai ser a causa principal. Falar isso para um doente faz parecer que ele é o grande culpado, o que pode torná-lo deprimido ou, sim, muito estressado! 

"Agora já passou. Vamos falar de outras coisas."
Recebi algumas visitas de pessoas que me disseram isso. Perguntavam como eu estava, queriam saber detalhes de como tudo ocorreu, e quando eu começava a falar me interrompiam, dizendo que eram águas passadas, que eu devia esquecer. Se não aguenta, nem começa, baby. Eu não tinha muitos assuntos novos, apenas o que vivia diariamente, que era a minha rotina no Instituto do Câncer. No máximo eu poderia falar sobre outros pacientes, mas seria sempre a mesma temática. Um dos motivos de eu não gostar de receber visitas era esse. Ninguém sabia lidar comigo, todos vinham cheios de dedos, mas faziam verdadeiras catástrofes com as palavras, me deixando mentalmente exausta. A pouca energia que eu tinha ia embora com os visitantes. É estranho, mas os doentes sentem uma certa necessidade de falar sobre o que estão passando. Tudo é muito novo, muito assustador. É terapêutico conversar, chorar, mostrar medo... Por isso existem psicólogos, eles não te julgam quando você quer falar sobre um assunto que ninguém deseja ouvir. E para isso deveriam existir os amigos também, e muitos deles eu espero que leiam essa postagem, para não cometerem velhos erros que cometeram comigo. 

SUGESTÕES DO QUE DIZER A UM DOENTE:

"Não sei o que dizer, não faço ideia do que você está passando."
No meu grupo de amigos, apenas eu passei por um grave problema de saúde (graças a Deus!). Se algum amigo chegasse para me dizer que sabia o que eu tava sentindo, não seria 100% honesto, pois nenhum deles, de fato, tinha ideia do quanto eu sofria. Muito do que sofri eu nem demonstrei, guardei para mim, porque queria poupar minha mãe, que estava SEMPRE comigo. O melhor que eu já ouvi foi exatamente isso: "não sei o que dizer, Mara. Mas estou aqui para o que você precisar." E não apenas foi dito como foi feito, porque falar coisas bonitas muitos falaram, mas na hora de fazer a coisa mudava. Qualquer doente gosta de se sentir amparado. É tudo que ele precisa, de alguém que demonstre que está lá para o que der e vier. 

"Se precisar chorar, eu tenho lenços." 
Jamais interrompa as lágrimas de um enfermo, que na maior parte das vezes fica reprimindo seu choro. Deixe-o livre para expressar seus sentimentos, pois quase ninguém lhe permite demonstrar tristeza, com medo de que ele caia em depressão. No meu caso, para conseguir chorar em paz, eu cobria meu rosto com o lençol e tentava não fazer nenhum barulho. Geralmente era de madrugada que eu fazia isso, colocava para fora todas as minhas angústias, lavava minha alma. Depois, eu podia muito bem ouvir uma música leve, que me enchia de esperanças. Mas o choro tinha que sair, era impossível contê-lo. 
Se você quer ajudar alguém, não lhe diga para não chorar. Não comente sobre as lágrimas que caem, porque isso pode constranger o enfermo. Apenas abrace, entregue um lenço, e se sentir vontade, chore junto. O pranto não dura pra sempre. O sorriso pode ser a próxima etapa, acredite.

"Vou ao mercado, quer que eu traga algo? "
Essa sugestão veio exclusivamente da revista Seleções, pois nem tinha me passado pela cabeça. Fui muito abençoada por não precisar me preocupar com nada além da minha saúde, os outros setores eram cuidados pela família, me pouparam sempre que foi possível. Mas existem enfermos que moram sozinhos ou que moram com idosos/crianças, e aí? Não dá pra sobrecarregar um idoso de todas as atividades que, antes, era o adulto da casa quem cuidava. Nesse contexto, é muito gentil oferecer ajuda, seja para trazer produtos do mercado, pagar uma conta, comprar alguma coisa no shopping. Avise sempre que sair, com uma certa antecedência para que o seu amigo possa fazer uma listinha. Não torne a situação desagradável fazendo o parecer ainda mais necessitado. Aja naturalmente, como você faz com qualquer pessoa em perfeitas condições de saúde. E outra dica: ao invés de oferecer ajuda genérica, fale diretamente. Assim: vou ao banco essa semana, posso aproveitar e levar suas contas para pagar. Onde você as guarda? Ou ainda: vou ao mercado, já trouxe até o papel para anotar a lista do que você está precisando.
E não assim: olha, do que você precisar, pode me ligar, ok? - Desse jeito parece mecânico, não soa como sincero. Ainda que seja. Entenda, o modo de falar é fundamental. Lembre-se sempre disso. 

O amor se expressa através de atitudes. =)  



22 julho 2013

Cuidar

Olá amigos!

Escrevo hoje porque estou finalmente realizando algo que, há tempos, vinha adiando. Agora que se concretizou e se mostrou constante, é hora de compartilhar.

No dia 03 de junho eu conheci um lugar que me acolheu de braços bem abertos. Uma amiga me levou até lá e, não por acaso, nesse dia a palestra era uma apresentação de todos os projetos da Casa. Realmente foi o dia certo para eu aparecer ali, tudo se encaixou.

Esse lugar é o Centro Espírita João, o Evangelista (CEJE). Localizado próximo à avenida Bezerra de Menezes, em Fortaleza/CE. 

É uma casa onde existe muito estudo, muitas vibrações positivas e, principalmente, muita ação. A teoria não se perde na doutrina, pois semanalmente existem muitas atividades que estimulam a prática do amor e da caridade.

Não vou me alongar explicando tudo que acontece lá, deixarei para fazer isso em outras postagens. Por ora, quero mostrar aqui o resultado da evangelização de ontem, feita com as crianças da pré-mocidade (entre 11 e 14 anos), na Célula Espírita Casa do Caminho (CECAC - uma espécie de extensão do CEJE -, em uma cidade mais carente, a Tabuba). 

O tema do dia foi "Cuidar" e a meninada se encarregou de indicar, no desenho toscamente feito por mim, diversas ações que podemos exercer com partes do nosso corpo. 

Elas tiveram a ideia de colorir e até fizeram uma tanguinha para o personagem. hehe


Só quem evangeliza tem dimensão do orgulho que sentimos ao ver a participação das crianças, a empolgação e o interesse. Estou amando essa tarefa que me foi atribuída. E, cada vez mais, eu sinto que caminho para um lugar com mais luz. Só tenho a agradecer a todos os obsessores que quiseram me derrubar e, com isso, me deixaram mais forte e me fizeram buscar um lugar para me engajar. Deus sabe que qualquer sofrimento pode trazer algum bem. E se você está sofrendo, fica aqui minha sugestão: procure ser útil, faça algo bacana por alguém. 

Nenhum mal vai te atingir se você estiver pleno de amor. Eu garanto! ;)

20 maio 2013

Nos encontraremos de novo

Aonde suas escolhas o levarão?
Não faz muito tempo que eu tomei conhecimento do desencarne de uma amiga. Nos conhecemos enquanto fazíamos tratamento no Instituto do Câncer (ICC); ela era uma pessoa simples, carinhosa e chegou a vir em minha casa uma vez, quando eu já tinha terminado meu último ciclo de quimioterapia. 

Ela teve uma longa caminhada na luta contra o câncer de mama e, apesar de eu ter lhe mostrado a alternativa do tratamento espiritual, ela não conseguiu se adaptar. 

Quando eu estava no ICC, reencontrei um amigo dos tempos do Ensino Médio, ele travava uma guerra contra um linfoma no mediastino, descoberto tardiamente. Em 2011 ele partiu para o plano espiritual.

Minha estadia pelo ICC me fez conhecer pessoas muito especiais. Seguindo o curso da vida, eu também presenciei a partida de muitas outras.

Refletindo sobre o retorno dos espíritos ao seu verdadeiro lar e também sobre a chegada de novos habitantes à Terra (perceberam como a taxa de natalidade aumentou por aqui?), me dei conta da maravilha que aconteceu comigo. 

É natural que, com o tempo, esqueçamos os dias difíceis pelos quais passamos. Afinal, essa é uma dádiva que o tempo proporciona: amenizar o peso da dor. Porém, os motivos pelos quais sofremos no passado não deveriam ser esquecidos também. 

Tem dias nos quais nem lembro que estive à beira da morte. É claro que minhas cicatrizes não me deixam esquecer do câncer - e sou grata por isso -, mas tudo que passei em virtude da doença e o milagre da minha cura nem sempre ficam tão vívidos em minha memória. 

Quando alguém toca no assunto, tudo me vem à tona, e sempre tenho muito orgulho de contar minha história. Mas foi preciso tomar conhecimento do desencarne de uma pessoa querida para eu reforçar minha gratidão por ter sobrevivido. 

O que passei não foi algo banal. Parece que já estou na minha terceira vida, mesmo numa única encarnação. Eu sobrevivi, quando tantos caíram do tabuleiro desse jogo cruel em que estamos. Eu ainda tenho muito pela frente, e sei que meus amigos estão lá no Astral, torcendo para que eu continue firme e forte nessa estrada. 

Obrigada por terem me dado a honra de conviver com vocês e por terem sido resignados diante da dor. Não tenho a menor dúvida de que estão bem amparados por nossos irmãos espirituais. Um dia nos encontraremos e eu quero dar bons motivos para vocês terem orgulho de mim, como eu tenho de vocês.



26 março 2013

E se eu mudar de ideia?


Fazemos planos, imaginamos o futuro, sonhamos. Tudo parece tão perfeito daquela maneira que nenhum acontecimento externo poderia nos fazer mudar de opinião. E é aí que, muitas vezes sem perceber, mudamos. 

Então criamos novos planos, imaginamos outra configuração do futuro, e nossas atitudes precisam ser diferentes para realizar essa nova ideia. 

Eu adoro a concepção da metamorfose ambulante, que se encaixa tão bem comigo. Eu disse que bastaria meu cabelo crescer mais um pouco para pintá-lo de azul ou roxo. Mas agora que meu cabelo cresceu, já não quero mais. E esse é só um exemplo dentre tantos outros que eu poderia citar.

Já refiz meus projetos uma dezena de vezes, e sempre parecem estar melhores a cada reformulação. Quando eu não sinto que estão ideais, algo dentro de mim já sabe que o prazo de validade será mais curto. 

Agora eu estou com um projeto ousado, tão ousado que a ficha do quanto é difícil ainda nem caiu. Mas não gosto de falar sobre ele, porque podem me dizer que é impossível. Não que a opinião alheia me influencie ao ponto de me fazer desistir, mas certamente me incomoda. E daquilo que me faz mal eu quero é distância!

Se não disserem que é impossível, podem dizer que é perigoso. Ou que não combina com meu perfil. Muitos, com certeza, falariam que é difícil demais. E disso eu já sei, não preciso que me lembrem.

Portanto, meus caros, guardem seus sonhos dos maus ouvintes. E cuidado com aqueles que ouvem calados, às vezes são os piores, pois nunca sabemos o que estão pensando. A inveja não se anuncia, ela chega sorrateira e pode destruir até o que ainda não conquistamos. 

Acredite em seu potencial, você é capaz de realizar o que quiser. Não se vincule à opinião de ninguém para acreditar que você pode. E se os planos mudarem, não há problema algum. Siga em busca de realizar, seja qual for seu caminho. Nessas horas vale lembrar das palavras de Paulo Freire:

"É fundamental diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz, de tal maneira que, num dado momento, a tua fala seja a tua prática."

08 fevereiro 2013

Sorria!


Qual o valor de um sorriso? E tem preço? Não, não tem. O sorriso é terapêutico e não custa absolutamente nenhum centavo. O bem que ele faz não dá para mensurar, porque é ilimitado. 

É bom pra quem sorri, é bom para quem recebe o sorriso. 
Acolhe estranhos com uma silenciosa expressão de boas vindas. 
Dá aconchego, carinho, respeito. É também um sinal de educação e honestidade. 

Sorrir é uma dádiva! E considero um crime esconder um sorriso sincero. 

E quando ele não é permitido, ou soa como um deboche? A culpa não é do sorriso, mas de quem não sabe fazê-lo. 

Um sorriso discreto, movendo apenas o canto da boca, esse é universal. Um pouco tímido mas, ainda assim, presente e marcante.

Sorrir diante das dificuldades é um sinal de sabedoria. Aquele que consegue rir de si mesmo demonstra ter bom humor. 

Já experimentou sorrir para desconhecidos? É tão bonito quando é correspondido! 

Um sorriso verdadeiro é feito em conjunto com os olhos, que brilham de forma mais intensa. 

Existe aquele sorriso nervoso, descontrolado, que merece ser perdoado. 
E também aquelas gargalhadas demoradas, gostosas de se ouvir.

O sorriso pode ser sedutor, metálico, amarelo, fingido. O sorriso pode ser frio, automático, controlado. O fato é que quem deixa de sorrir, esquece como é bom.

Todos gostam de estar perto de pessoas que as fazem sorrir. E tem aquelas que fazem de tudo para arrancarem sorrisos a todo instante. Às vezes a gente sorri pra não perder a amizade e outras, apenas para não chorar. Eu já sorri pra não ficar calada, e outras porque não queria falar.

Sorrir é bom, faz bem, é bonito, é bacana. Se queres um conselho, sorria para quem você ama! ;D

03 fevereiro 2013

Como adotar o hábito da meditação?

Hoje eu trouxe um texto da Regina Restelli, uma terapeuta holística que escreve ótimos artigos no site Personare. A temática é a meditação, assunto que muito me interessa, pois sei de todos os benefícios que proporciona. Porém, há um tempo eu deixei de praticar e agora estou retomando, então quero compartilhar aqui uma sugestão de como você também pode adotar esse hábito tão simples e tão complexo ao mesmo tempo.


Você tem 10 minutos para dedicar somente a você todos os dias? Já pensou em aproveitar esse tempo para meditar? Se após ler este texto quiser manter esse hábito, saiba agora, que só dependerá da sua vontade.
 
Não importa com que tipo de meditação você mais se identifica, o importante é a freqüência destes momentos em sua vida diária. A continuidade de buscar o relaxamento, chegar até ele, se equilibrar e sentir-se em paz, é que vai determinar seus benefícios. Aumentar a capacidade de concentração, diminuir o estresse e equilibrar o complexo mente/corpo, aumentar a auto-estima são alguns deles. Outras vantagens que valem ser destacadas são a melhora do sistema imunológico, e da memória, além do fortalecimento das conexões entre os neurônios. A meditação diária possibilita o treinamento da mente para conseguir novos objetivos e trazer consciência do poder pessoal .

Os cientistas acreditam que o corpo produz mais óxido nítrico quando está profundamente relaxado, e essa molécula atua como um antídoto contra o cortisol, o hormônio do estresse. Dos relaxamentos mais pesquisados nos últimos anos, a meditação tem gerado uma grande atenção. A prática aumenta a produção de endorfina (hormônio que reduz o estresse) e previne a perda natural de neurônios. Segundo a Unidade de Medicina Comportamental da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a meditação reduz também a ansiedade, ajuda no combate à depressão e melhora os níveis de atenção.

Hoje eu recomendo que comecem pelo menos com apenas 5 minutos pela manhã e mais 5 minutos antes de dormir. Estes 10 minutos começam a fazer diferença, incentivando-os a continuar e até aumentar naturalmente o tempo dedicado a esta prática.
Eu agora volto a perguntar: você tem 10 minutos para dedicar somente a você todos os dias? Confira um passo-a-passo simples:
    Reserve um tempo e um lugar calmo. Certifique-se que não será incomodado ou interrompido.
    Sente-se com a coluna ereta, para a melhor circulação de energia, e também para não dormir. Este é um exercício que traz sua consciência para o agora.
    Feche os olhos respire profundamente 3 vezes, relaxe seu corpo e acomode-o confortavelmente sentado. Mantenha a atenção na sua respiração, no ar novo que entra (e como entra) e no ar velho que sai (e como sai). Reflita sobre as sensações trazidas e mantenha todo o tempo sua mente ocupada com esta tarefa.
    Logo nas primeiras experiências você deve encontrar dificuldade em domar o mental, que não costuma parar de interferir logo de inicio. Comigo também é assim, não desista! Afinal quem manda aí dentro, você ou sua mente desordenada?
    Faça isso sempre quando acordar e quando for dormir e finalize com uma boa afirmação para começar o dia:"Eu acredito que o decorrer de meu dia será suave e repleto de boas concretizações". E para a noite, sugiro: "Agradeço tudo que aprendi hoje e me entrego a um sono profundo, restaurador que me prepara para as atividades do próximo dia."
 Até hoje minhas meditações ainda têm este perfil e garanto que fazem muita diferença no meu dia-a-dia.
Se ame acima de tudo, não se esqueça de você, pois a vida é sua. Coloque atenção no agora e divirta-se.  

25 janeiro 2013

Estrelas

Yellow - Coldplay
Sigo palavras e busco estrelas... Já dizia a canção, aliás, uma bela canção.
Estamos sempre em busca de algo, porque quando não temos algo pelo que lutar, parece que a Vida perde seu sentido primordial. Ter um motivo para viver, ou vários, é o combustível que nos move.

O mês de janeiro já está dando seus últimos suspiros, o ano letivo já vai começar, e o que estamos fazendo para realizar as promessas do Reveillón? 

Hoje tomei decisões importantes, tracei metas para o meu amanhã. Pode ser que tudo mude, e algo sempre muda, isso é fato, mas é crucial saber o que fazer. Ter um plano, um objetivo concreto e realizável. Nada de dar passos muito largos, que podem gerar desequilíbrio. Um dia de cada vez, é assim que se vive.

Siga o conselho do Calvin: observe as estrelas!


07 janeiro 2013

As pessoas

 
Pessoas... Elas vêm e vão. Algumas vêm e ficam. Outras achamos que vão ficar, e ficam - mas depois se vão, nem percebemos como. Outras queremos que fiquem, mas elas acabam indo. Outras queremos que partam, mas elas acabam ficando. E algumas até partem, mas acabam voltando. 

As pessoas... Com suas vontades, com seus impulsos, são tão surpreendentes! Algumas são previsíveis ou tediosas ou fascinantes. Algumas são más, outras querem sê-lo. Outras não querem, e lutam contra esse instinto. Outras são genuinamente boas, e fazem coisas tão lindas. 

Gosto de observar as pessoas. Gosto de analisar seus atos, seus olhares, suas palavras. Mas às vezes me canso delas. Às vezes quero ficar longe das pessoas, quando me deixam triste ou quando me ignoram. É muito ruim quando me procuram e não quero ser encontrada. Talvez seja cruel fugir das pessoas, mas muitas vezes tenho medo delas. Às vezes, tenho medo de mim também.

Sou uma pessoa, como todas as outras. Eu vou, eu fico, eu parto, eu volto, eu digo adeus, eu digo oi. 
Eu mudo o cabelo, pinto as unhas, escrevo, leio, sonho e sonho. Eu acordo e durmo, me alimento, mato minha sede, sorrio, choro, abraço. Eu canto, eu pulo, tomo banho, brinco com meus gatos, converso, mando e-mails, estudo, sonho e sonho.

Eu sou alguém. Eu quero alguém também. Gosto de muitos e não há um que eu não goste. Não alimento sentimentos ruins. Meu silêncio, nem sempre entendido, é apenas uma carta de alforria. Não quero ninguém preso à mim. Eu liberto as pessoas, me liberto delas também. Mas essas são as que voltam. Mesmo quando partem, sempre retornam. 

E essa incerteza, entre ir ou ficar, partir ou voltar, vai tecendo a vida. E é assim que ela é, com pessoas que vão e pessoas que ficam. 

E você, quem você quer em sua vida?

03 janeiro 2013

Let's Move On!


Em poucos instantes, o que era gelo virou água. A rigidez tornou-se porosa. A certeza ficou indecisa. Eu não sei explicar, apenas aconteceu.

Sabe quando você está convicto de algo e, de um dia para o outro, suas convicções se tornam incertas? O que vocês fazem quando isso acontece?

E se o assunto envolver seu futuro, suas metas, a forma como você se imagina amanhã? É pesado, não encontro outra expressão. 

Já passei por isso algumas vezes e, posso garantir, acomodar-se não é uma boa ideia. Quando ficamos sem eira nem beira, nos permitimos ser negligentes com nossa higiene, nossa alimentação, nossa mente. Fazemos o que nos dá na telha sob o pretexto de que depois cuidaremos de tudo. Mas quando esse depois vai se tornando distante, quase inalcançável, percebemos que, nessa rotina insana, não construímos nada de bom - e é quando bate a vontade de desistir.

Mas desistir não necessariamente é um ato radical, a morte opcional. Desistir pode ser ainda mais perigoso: pode ser a ilusão de que estamos vivendo, quando apenas estamos respirando, vivenciando uma existência medíocre. E o que é pior do que acordar já pensando em dormir? Ir dormir desejando nunca mais sair da cama? 

Nessas horas me questiono quantas vezes já tive vontade de ser vítima de um acidente fatal, algo repentino e certeiro. Seria uma colher de chá divina, porque me pouparia o imenso esforço de continuar na busca por respostas que satisfaçam meu espírito. É tão cansativo me ver ofuscada por minhas próprias dúvidas. 

Parece ridículo dizer isso, depois de tudo que passei. Sobrevivi a um tumor maligno daqueles bem ferozes. Resisti a várias sessões de quimioterapia, diversas cirurgias; meu cabelo já caiu e já cresceu, por mais de uma vez. Mas, e depois, o que temos? 

Perder peso, retomar estudos, mudar a vida, mudar os hábitos, ficar mais próxima de Deus, ajudar crianças carentes, contribuir em lares de idosos, fundar uma ONG (ou ser útil em alguma que já exista), fazer trabalho missionário fora do país, passar num concurso público, ganhar dinheiro, encontrar o homem da minha vida (se é que terei esse direito), casar, adotar algumas crianças, ser feliz. Não necessariamente nessa ordem. 
Quantos clichês numa sentença! Quem é que nunca se imaginou viajando para o continente africano com o intuito de fazer algum trabalho voluntário que contribua para o progresso da humanidade? Já me imaginei fazendo isso incontáveis vezes. Mas depois lembro que aqui no Brasil existem pessoas tão pobres quanto lá, e existem fundações especializadas em cuidar disso, precisando urgentemente de voluntários dedicados. Por que dificultar? Por que gostamos tanto de complicar o simples?

Eu tenho muitas perguntas. E estou sempre fazendo novas indagações, inclusive sobre mim. O que mais tem de acontecer em minha vida para que esse vazio vá embora? Eu nem ouso perguntar isso em voz alta.

É natural que quando um ano se inicia nós tenhamos o ânimo renovado. Toda essa atmosfera, gerada pelo início de um novo ciclo, nos deixa com mais esperança de que faremos diferente dessa vez. E por que não? 


É possível! O desconhecido nos espera; tenhamos coragem para arriscar e para realizar mais. Chega de autopiedade. É mais comum as pessoas desistirem de nós do que terem compaixão, quando agimos como fracassados. Ninguém quer essa energia derrotista por perto, ela contamina.

Se você já encontrou uma pessoa com pena de si mesma, procure lembrar do que sentiu. Talvez tenha sido uma imensa vontade de remover aquele véu da cegueira, pois geralmente a pessoa tem um potencial incrível, mas não consegue enxergar. Em contrapartida, você pode ter observado que tal véu era mantido com as próprias mãos do indivíduo sofredor, ninguém poderia arrancá-lo, a não ser que ele o permitisse.

O fato é que para sair da escuridão, precisamos primeiramente desejar a luz. Podemos pedir ajuda quando estamos perdidos, mas dificilmente alguém nos guiará pelo caminho se ficarmos inertes.

Let's move on!

02 janeiro 2013

Minha Playlist de 2012

Ano passado eu fiz uma postagem com as músicas que mais ouvi em 2011, você pode conferir aqui: Soundtrack

Agora vou dar continuidade. Minha playlist teve algumas repetições em relação ao ano anterior, pois Florence + The Machine continuou firme e forte, bem como A Fine Frenzy. Mas, sempre buscando novidades e aceitando sugestões de amigos com gosto musical confiável, conheci uma nova deusa: Lana Del Rey! Ela dominou a minha lista das preferidas, pois conseguiu fazer um álbum simplesmente perfeito. Sim, todas as músicas são boas! =D Algumas mais viciantes que outras, mas ainda assim, é raro ver um álbum com tantas músicas maravilhosas. E são todas de autoria dela!
Enfim, chega de papo, vamos às mais queridas de 2012!


Marisa Monte






 ♪Ainda bem


 






Oh Mercy




 ♪Can't Fight It







Psapp




 
Cosy In The Rocket








Walk Off The Earth




 Man Down
Somebody That I Used To Know






Trilha Sonora do filme "Meu Amigo Totoro"




♪Tonari No Totoro
♪Kaze No Toorimichi 







Alphaville




♪Forever Young







Men At Work



♪Down Under








Florence + The Machine

♪Spectrum
♪Only If For A Night
Cosmic Love
♪Dog Days Are Over






Iron and Wine
  


♪Boy With A Coin








Lana Del Rey

♪Summertime Sadness
♪Off To The Races 
Born To Die
Dark Paradise
Radio
♪Lucky Ones
♪Video Games 



01 janeiro 2013

Tópicos de um novo ano

Este ano vai ser o que nós fizermos dele!

Ontem um ciclo se fechou. Confesso que gostaria de ter escrito aqui no blog mais vezes em 2012, minha última postagem foi em agosto (!). Mas também não prometerei assiduidade para este ano, nunca se sabe o que está por vir. Afinal, é como eu sempre digo, aqui é o meu cantinho, onde não pode haver cobranças e justificativas. Eu escrevo quando me apetece, tipo agora. 
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Entrei em 2013 na companhia de pessoas mais do que especiais, sinto novos elos de amizade se formando. Mas a amizade não é assim, né? Ela não acontece só porque uma das partes deseja. Ela tem que ser mútua, espontânea, nem há muito raciocínio a respeito. Simplesmente acontece. Quando a gente vê, já existe. 
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Para este ano não fiz promessas, apenas alguns planos - que não foram exatamente planejados, apenas imaginados. Vou mudar alguns rumos que vinha seguindo, retomar projetos engavetados e, principalmente, tentar realizar atividades que sempre acabo deixando para depois.
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Em breve farei uma postagem com a minha playlist de 2012, como fiz em 2011. Conheci músicas incríveis, preciso compartilhar com vocês. ;D
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Entonces, desejo a todos que 2013 seja fabuloso, cheio de paz, amor, saúde, prosperidade e muita LUZ!