03 janeiro 2013

Let's Move On!


Em poucos instantes, o que era gelo virou água. A rigidez tornou-se porosa. A certeza ficou indecisa. Eu não sei explicar, apenas aconteceu.

Sabe quando você está convicto de algo e, de um dia para o outro, suas convicções se tornam incertas? O que vocês fazem quando isso acontece?

E se o assunto envolver seu futuro, suas metas, a forma como você se imagina amanhã? É pesado, não encontro outra expressão. 

Já passei por isso algumas vezes e, posso garantir, acomodar-se não é uma boa ideia. Quando ficamos sem eira nem beira, nos permitimos ser negligentes com nossa higiene, nossa alimentação, nossa mente. Fazemos o que nos dá na telha sob o pretexto de que depois cuidaremos de tudo. Mas quando esse depois vai se tornando distante, quase inalcançável, percebemos que, nessa rotina insana, não construímos nada de bom - e é quando bate a vontade de desistir.

Mas desistir não necessariamente é um ato radical, a morte opcional. Desistir pode ser ainda mais perigoso: pode ser a ilusão de que estamos vivendo, quando apenas estamos respirando, vivenciando uma existência medíocre. E o que é pior do que acordar já pensando em dormir? Ir dormir desejando nunca mais sair da cama? 

Nessas horas me questiono quantas vezes já tive vontade de ser vítima de um acidente fatal, algo repentino e certeiro. Seria uma colher de chá divina, porque me pouparia o imenso esforço de continuar na busca por respostas que satisfaçam meu espírito. É tão cansativo me ver ofuscada por minhas próprias dúvidas. 

Parece ridículo dizer isso, depois de tudo que passei. Sobrevivi a um tumor maligno daqueles bem ferozes. Resisti a várias sessões de quimioterapia, diversas cirurgias; meu cabelo já caiu e já cresceu, por mais de uma vez. Mas, e depois, o que temos? 

Perder peso, retomar estudos, mudar a vida, mudar os hábitos, ficar mais próxima de Deus, ajudar crianças carentes, contribuir em lares de idosos, fundar uma ONG (ou ser útil em alguma que já exista), fazer trabalho missionário fora do país, passar num concurso público, ganhar dinheiro, encontrar o homem da minha vida (se é que terei esse direito), casar, adotar algumas crianças, ser feliz. Não necessariamente nessa ordem. 
Quantos clichês numa sentença! Quem é que nunca se imaginou viajando para o continente africano com o intuito de fazer algum trabalho voluntário que contribua para o progresso da humanidade? Já me imaginei fazendo isso incontáveis vezes. Mas depois lembro que aqui no Brasil existem pessoas tão pobres quanto lá, e existem fundações especializadas em cuidar disso, precisando urgentemente de voluntários dedicados. Por que dificultar? Por que gostamos tanto de complicar o simples?

Eu tenho muitas perguntas. E estou sempre fazendo novas indagações, inclusive sobre mim. O que mais tem de acontecer em minha vida para que esse vazio vá embora? Eu nem ouso perguntar isso em voz alta.

É natural que quando um ano se inicia nós tenhamos o ânimo renovado. Toda essa atmosfera, gerada pelo início de um novo ciclo, nos deixa com mais esperança de que faremos diferente dessa vez. E por que não? 


É possível! O desconhecido nos espera; tenhamos coragem para arriscar e para realizar mais. Chega de autopiedade. É mais comum as pessoas desistirem de nós do que terem compaixão, quando agimos como fracassados. Ninguém quer essa energia derrotista por perto, ela contamina.

Se você já encontrou uma pessoa com pena de si mesma, procure lembrar do que sentiu. Talvez tenha sido uma imensa vontade de remover aquele véu da cegueira, pois geralmente a pessoa tem um potencial incrível, mas não consegue enxergar. Em contrapartida, você pode ter observado que tal véu era mantido com as próprias mãos do indivíduo sofredor, ninguém poderia arrancá-lo, a não ser que ele o permitisse.

O fato é que para sair da escuridão, precisamos primeiramente desejar a luz. Podemos pedir ajuda quando estamos perdidos, mas dificilmente alguém nos guiará pelo caminho se ficarmos inertes.

Let's move on!

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