06 novembro 2013

Divisor de águas

Há pouco tempo tomei a decisão de me tornar ovo-lacto-vegetariana, ou seja, não faço mais a ingestão de carnes mas ainda me alimento de ovos, leite e seus derivados. Não serei radical de me tornar vegana de um dia para o outro, tudo que é muito radical tende a não durar. Bebo leite quase todos os dias, virou um hábito bem firme na minha rotina alimentar, mas vou mudar isso e encontrar alternativas. Muitas pessoas intolerantes à lactose só ingerem o leite de soja e sobrevivem numa boa, porque eu não poderia? Tudo é uma questão de força de vontade! =)

Quando tava na faculdade, assisti a dois documentários: Terráqueos e A Carne é Fraca. Fiquei muito chocada na época, nem aguentei ver até o final, mas não consegui parar de consumir carne porque ainda era muito nova e não tinha forças para argumentar com meus pais, que se recusaram a me dar ouvidos. Eles diziam que nenhum ser humano pode viver sem carne. Será? Eu vivia tão cheia de coisas pra fazer que não lutei por esse ideal, depois adoeci e esse assunto foi deixado para o futuro.

Após me confrontar com um texto, enviado por um amigo (Obrigada, Gabriel!), resolvi não mais adiar o que para mim seria inevitável. Não quero mais ter um cadáver em meu prato. 

Esse mesmo amigo me mandou um vídeo chamado A Engrenagem (esse é curto, recomendo fortemente, não tem imagens impactantes e traz grandes verdades que você precisa saber), idealizado pelo Instituto Nina Rosa. Esse vídeo só reforçou minha decisão. O futuro chegou.

Já estou buscando receitas e lendo sites veganos, estou descobrindo um universo inteiro sobre o assunto! Com o decorrer dos meses, voltarei a falar sobre meus avanços, quero incentivar quem já se compadece de nossos irmãozinhos de jornada, pois tenho certeza que muitas pessoas sentem compaixão pelos animais e só não se tornaram vegetarianas por falta de apoio ou esclarecimento. 

Quem não puder ler o texto que foi o grande divisor de águas em minha escolha, vou colar abaixo alguns trechos para reflexão (com adaptações) :

Como poderíeis supor que o Deus de infinita misericórdia sancionasse a crueldade e a destruição injustificada de seus filhos menores, enclausurados temporariamente em estojos físicos de principiantes, como as criancinhas do jardim da infância do grande educandário dos mundos de matéria? Seríeis capazes de trucidar crianças pequeninas para atender a um prazer de matar, somente porque não podem defender-se? Pois o mesmo espanto e horror que essa ideia vos causa tomam os espíritos superiores quando estes assistem à carnificina diária que se comete na superfície do planeta para com os irmãos menores do homem – os animais. Olhai o fundo de seus olhos mansos, sem a arrogância dos fortes e a indiferença dos egoístas, e vereis ali cintilando o reflexo de uma alma divina, filha do Criador que também é o Criador da vossa; lereis o apelo silencioso dessas vidas que tateiam nos labirintos da consciência como criancinhas aprendendo a andar, a vos dizer: “Deixa-me viver para aprender a ser um dia como tu, que já foste outrora como eu”.
Inúteis serão os vossos apelos de paz, enquanto os cadáveres sangrentos de vossos irmãos menores quotidianamente atestarem que sois os mandantes da mais sanguinária das guerras, e a mais cruel, porque deflagrada contra indefesos sem o socorro da razão, por motivos fúteis, e tão somente em nome de um discutível prazer do paladar. 
Informai-vos bem para vos conscientizar de que a manutenção dos rebanhos para o consumo humano, além do espetáculo da crueldade e da indústria da doença que representam, são os patrocinadores da fome de milhões, da devastação e do desequilíbrio da natureza planetária. Ser um consumidor dos irmãos menores carreia ainda consigo a condição de depredador do planeta e conivente com a fome do mundo. 
O hábito, o prazer e a fraqueza são as justificativas que sempre nos oferecemos ante a dificuldade de mudar para melhor. Elas não nos livram de sofrer as conseqüências do pior que cultivamos.
O sangue derramado das espécies animais, em proporção sempre crescente, está transformando o planeta num gigantesco matadouro ambulante, que orbita no sistema fazendo ecoar os gritos de dor dos milhões de seres sacrificados diariamente à gula e à ganância humana. 
Espíritas: o conhecimento acentua a responsabilidade. 

Enquanto eu lia esse texto, lágrimas me vieram aos olhos e uma luz se acendeu em meu pensamento. Não tem porquê continuar me alimentando de algo que já não me fazia bem, e ainda compactuar com toda uma engrenagem maléfica que perpetua a ganância humana e a crueldade com nossos bichinhos tão queridos. Estou feliz por ter dado esse passo. 

OBSERVAÇÃO:
Quero deixar claro que não me tornei vegetariana para julgar quem ainda não consegue se desfazer da carne em sua alimentação. Não tenho esse direito e não acho que sou melhor que ninguém. Minha família inteira é adoradora de churrasco e não vou falar mal deles, mas apenas seguir com a minha opção, respeitando e desejando ser respeitada. Agradeço a compreensão. =)


Um comentário:

Elson disse...

Nossa coragem para mudar de habito assim qualquer mudança tao drástica, muda tudo e mais um pouco eu que eu diga, andei sumido da leitura dos seu blog porque vamos dizer, houve dezenas de mudanças que conto qualquer dia que houver um tempo para falar. Boa sorte com a mudança de hábitos alimentares (pois não deve ser fácil), e se cuida!