29 novembro 2014

Every single moment

Aproveite cada momento
É chuva, é sol, é cinza, é azul. É noite, é dia, é calor, é frio.
Tá escuro, tá estranho, tá feio, tá cheio.

Não conheço, nunca gostei, me falaram que é ruim.

Minha religião não permite, não discuto política, não gosto de falar quando acordo.

Não tolero, não aceito. Eu não tenho preconceito, mas...

Prefiro salgado. Odeio amargo. Detesto esse cheiro. Não gosto nem de lembrar.

Me arrepio sempre. Melhor nem falar. Deixa pra lá.

Pare agora de se limitar! Pare agora de se enquadrar em papeis pré-estabelecidos, criados por você ou por outrem. Você é mais. Não deixe de viver, aproveite a vida. Permita-se ser surpreendido por ela.

A vida está acontecendo enquanto estamos com medo de sair do quarto. Vamos olhar o céu! Vamos tomar banho de chuva! Vamos dançar sem timidez. Vamos dançar com timidez. Vamos apenas dançar - e curtir e aprender e voar e viver. Viver é diferente de existir. Vamos ver beleza em tudo que pudermos. Vamos olhar as paisagens como nossos gatos, que andam sempre pelos mesmos cenários se admirando de todos os detalhes, como se fosse a primeira vez. Todo dia é uma possibilidade. Vamos aproveitar tudo que a vida tem nos oferecido. Vamos ser gratos por tudo.

VAMOS SER GRATOS POR TUDO!





28 novembro 2014

Coisas que dizemos



E quantas vezes você falou que não queria, só para ver se iriam insistir? Você até queria, mas não insistiram. 

Às vezes você fala que não pode, mas é porque não quer.

Outras vezes você diz que não pode, porque não acredita poder. 

Algumas poucas vezes, bem poucas mesmo, você realmente não pode. E, se bobear, ainda nessas raras ocasiões, se espremesse as horas, se apertasse o passo, até poderias. 

25 novembro 2014

Meu sonho de papel


Alguém desliga a internet e a TV, por favor. Deixem o ambiente com claridade boa, nem demais, nem de menos. Humm, o dia tá nublado, que ótimo! Você me prepara um chocolate quente, por favor? Não quero muito doce, tá? 

Calem todas as vozes e ruídos. Nada de motores, nada de tambores. Não me chamem por nada. 

Só me deixem aqui, sozinha, com meus livros; quero entrar nesse universo onde tudo é possível. E nunca mais voltar.



24 novembro 2014

Um grande amor, por favor


Eu quero um amor que nem sei se mereço. Mas só posso merecer, por não me conformar com menos. Algo em mim me diz que ele existe, me pede paciência, serenidade, e me fala que no momento certo vai aparecer. 

Eu, boba que sou, acredito.

23 novembro 2014

É permitido chorar


Não importa como você se sente, faça isso:

Levante-se
Arrume-se
Apareça (saia do seu casulo!)
Nunca desista.  

É permitido chorar antes. De preferência escondido, para que ninguém apareça te dizendo: ah, não fica assim, não chora... 

Chore sim, sofra sim, dance com o pé na jaca, deite no fundo do poço. Mas depois, meu bem, erga a cabeça e arrase.

Essa é a melhor parte.

22 novembro 2014

Em seu benefício

Cena do filme "Nosso Lar"
"Não se agaste com o ignorante; certamente, não dispõe ele das oportunidades que iluminaram seu caminho.

Evite aborrecimento com as pessoas fanatizadas; permanecem no cárcere do exclusivismo e merecem compaixão como qualquer prisioneiro.

Não se perturbe com o malcriado; o irmão intratável tem, na maioria das vezes, o fígado estragado e os nervos doentes.

Ampare o companheiro inseguro; talvez não possua o necessário, quando você detém excessos.

Não se zangue com o ingrato; provavelmente é desorientado ou inexperiente.

Ajude ao que erra; seus pés pisam o mesmo chão, e, se você tem possibilidade de corrigir, não tem o direito de censurar.

Desculpe o desertor; ele é fraco e mais tarde voltará à lição.

Auxilie o doente; agradeça ao divino poder o equilíbrio que você está conservando.

Esqueça o acusador; ele não conhece o seu caso desde o princípio.

Perdoe o mau; a vida se encarregará dele."

ANDRÉ LUIZ

(Trecho do livro "Agenda Cristã" - psicografia por: Chico Xavier) 

21 novembro 2014

Um dia na prisão


Tive sorte, não fui revistada - sequer pediram para ver minha identidade.
Caminhei com os outros quatro samaritanos, um pouco apreensiva com o que iria encontrar. 

Alguns homens me olharam de cima a baixo, com curiosidade. Demorei alguns minutos para ficar à vontade, e tive de lutar com meus pensamentos insanos, que me faziam ver algum deles me fazendo de refém. Que tipo de mente doentia é a minha, ao me permitir pensar algo assim? A mente de alguém que nunca imaginou visitar um presídio, a mente de alguém que estava receosa, quase faltou à visita, e mesmo com um monte de imagens distorcidas, preferiu pagar pra ver, do que ficar especulando. Em algum momento é preciso sair da zona de conforto, afinal.

Em meio a tantas faces, paredes sujas, cheiro de cigarro, tatuagens de guerra, me vi muito perto de pessoas que sempre busquei evitar. Ladrões, homicidas, estupradores... Pouco importa o delito que cometeram. Para nós, samaritanos, eles são todos "reeducandos". Já estão sendo julgados pela Lei dos homens, não precisam de mais julgamentos. O nosso trabalho ali é levar música, palavras de consolo, uma breve dose do Evangelho segundo o espiritismo, com seus ensinamentos edificantes, e a sopa fraterna, feita com vegetais, carne de soja, legumes e muito amor. Na hora da sopa, todos se enfileiram com suas canecas, alguns tomam bem rápido, para dar tempo de repetir. 

Na ala feminina haviam apenas duas reeducandas, muito diferente do cenário anterior, repleto de rapazes com olhares distantes, alguns muitíssimo jovens - para aumentar o aperto no peito.

Avistei muitas frases no muro branco, todas escritas com a mesma tinta verde musgo, com a mesma letra. Gravei duas daquelas mensagens, que muito me tocaram e me fizeram viver aquele contexto de um modo que nem pensei que conseguiria. Senti perfeitamente como era a vida ali. Senti na pele o desespero pela liberdade e compreendi que é possível mudar, mesmo sendo um ambiente hostil, é possível encontrar resignação e um caminho novo.     

"Sem o esforço da busca, é impossível alguém sentir a alegria do encontro."

"Por onde passei, não vou mais voltar. A começar por aqui."


Memorizei e depois anotei essas duas passagens, porque me tocaram de verdade. Queria escrever sobre isso aqui, mas me sinto incapaz de expressar tudo que passei naquela manhã de domingo. Foi algo que palavra alguma é capaz de traduzir - e mesmo assim eu ainda tento. Não quero e não posso esquecer, foi uma lição que levarei sempre comigo.
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Essa visita que fiz ao presídio é uma atividade que ocorre há mais de 18 anos por trabalhadores voluntários (Samaritanos) da Casa do Caminho - célula espírita vinculada ao CEJE - Centro Espírita que frequento. Ocorreu no dia 16 de novembro de 2014.
Não houve revista porque os agentes penitenciários já conhecem a equipe e nos deixaram passar tranquilamente. Esse presídio se encontra no interior do CE, não vou citar a cidade por uma questão de segurança.