30 abril 2015

Abertura do Espaço para Novos Escritores


Depois da última postagem, resolvi abrir um espaço aqui no blog para colaboradores eventuais, pessoas que tenham algum texto guardado e desejem divulgar seus escritos. É uma maneira de incentivar novos escritores, de modo a não deixar que morra dentro deles essa paixão por escrever - que possuo, tantas vezes negligencio e sei que não devo mais fazer isso =x. 

Hoje trago um conto escrito por Jayre Morais, um jovem rapaz que ainda não conheço pessoalmente, mas que demonstra ter muita vivacidade e interesse em divulgar seus textos, que aliás vocês podem encontrar em seu blog: Escrevendo e Refletindo.

Ao avisar no mural de um grupo que participo que iria disponibilizar esse espaço, ele veio rapidamente falar comigo e me mandou o conto a seguir:

O menino e as três moedas


Certo dia, um fazendeiro vendo que tinha pouca comida e pouco dinheiro, decidiu tomar uma atitude. Chamou seu filho e disse:
- Meu caro filho, como pode perceber, estamos quase sem comida e dinheiro. Leve estas três moedas de prata e vá comprar uma vaca.
Sim, meu pai. – disse o filho

O menino, no meio da estrada, avistou um homem vindo em sua direção. O homem parou o garoto e perguntou:
Onde está indo, fedelho?
Irei ao mercado para comprar uma vaca com estas três moedas de prata.
O homem, ao olhar as moedas, pensou que poderia enganar o menino e disse:
Vamos fazer o seguinte: troco estas sementes de feijão por uma moeda.
- Está certo.
O homem, contente pela moeda, voltou em direção a cidade. 
Pensando que fez um bom negócio, o menino continuou sua jornada. 

Dando alguns passos, um idoso caminhava em sua direção. Parou o garoto e perguntou:
Onde está indo rapaz?
Irei ao mercado para comprar uma vaca com estas duas moedas de prata.
O velho, ao olhar as moedas, pensou que poderia enganar o menino e disse:
Vamos fazer o seguinte: troco este regador cheio de água por uma moeda.
Está certo.
O velho, contente pela moeda, voltou em direção à cidade, pensando: ”Trouxa”. 
Pensando que fez um bom negócio, o menino continuou sua jornada.

Chegando à cidade, o menino foi direto ao mercado para comprar a vaca, com a única moeda de prata. Quando estava perto do vendedor de vacas, o garoto se deparou com uma mulher e esta perguntou:
Para onde está indo, jovenzinho?
Comprar uma vaca, só que me resta apenas uma única moeda de prata. E acho que não vai dar pra comprar.
A mulher, ao olhar para a única moeda em posse do menino, pensou que poderia enganá-lo e disse:
Vamos fazer o seguinte: que tal trocar esta única moeda por este pote cheio de terra?
Está certo.
A mulher, contente pela moeda, voltou para casa pensando: ”Jovenzinho tolo”. 
O menino, acreditando ter feito a coisa certa, voltou para casa contente, com os três pertences que tinha conseguido. 

Ao chegar a casa, o filho chamou por seu pai e este veio correndo ao seu encontro.
Ora! Já voltou? Conseguiu a vaca?
Não, meu pai. Em vez disso, comprei essas sementes de feijão, um regador cheio de água e este pote cheio de terra.

O pai, não acreditando no que vira, se enfureceu quase arrancando os cabelos.
O que você fez, peste? O que irei fazer com essas coisas?
Mas pai...
Fecha a matraca. Cometeu burrices demais por hoje. Amanhã pensarei no seu castigo.

O menino, com a cabeça baixa, levou os três pertences para fora, enquanto o pai esbravejava. Então, o rapaz teve uma ideia. Pegou o pote cheio de terra, colocou-o em um buraco no solo infértil, depositou os feijões e regou-os com o regador que comprara. Então, olhando para o céu, orou:
Por favor, faça estes feijões crescerem.

Como que por mágica, as sementes cresceram e se espalharam por vários quilômetros, formando belos pés-de-feijão. O menino, espantado, gritou pelo pai:
Pai! Corre até aqui.
O que foi desta vez?
Quando o pai chegou, ficou espantado com o que viu e esquecendo a raiva, disse ao filho:
É um milagre, meu menino. Não passaremos fome e ainda poderemos vender os feijões para comprar mais comida.
Com isto, se abraçaram e viveram felizes até suas mortes.

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É um conto simples, procurei alterar apenas o indispensável na revisão, para que não perdesse a identidade do autor. Sem dúvidas passa uma mensagem bonita, de inocência, humildade e fé. Legal para levar a crianças, que sempre adoram essas histórias. 

Parabéns, Jayre, continue acreditando em seu trabalho, escrevendo e aprimorando seu estilo. A prática, a leitura e a dedicação são as chaves para seu amadurecimento!  

Muitas vezes deixamos de terminar algo que começamos por achar que ficará bobo, temos até vergonha de mostrar algo que produzimos, não é mesmo? Mas lembrem-se das seguintes palavras: antes feito do que perfeito. 

Que possamos realizar mais projetos e sonhos, ao invés de ficarmos em busca de uma perfeição inalcançável, que não nos permite ir a lugar algum.  

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PS: A foto da paisagem acima foi retirada do blog Beira de Estrada.


2 comentários:

Marden Paiva disse...

Marden Paiva aqui <o

Belo conto, simples porém bonito. É um belo exemplo de que se a gente ver o pouco que tem e saber usar é possível fazer muita coisa. Existe um ditado oriental que me veio a memória agora... não lembro da origem do texto... mas enfim:

"Entre o pouco e o muito, escolha o pouco, pois você irá aprender a fazer muito com esse pouco e a valoriza-lo... já com o muito se faz pouco pois o homem tende a se acomodar e desvalorizar o que tem."

Maraysa Carvalho disse...

Esse ditado oriental foi um excelente complemento para o conto. Aliás, eu diria que foi a "Moral da História" das fábulas.
Obrigada por sua contribuição, Marden! =]