27 abril 2015

Sobre ser Espírita, Chico Xavier e as pedras no caminho

Existem três assuntos que prendem a minha atenção muito mais do que o normal: ufologia, mediunidade e teorias sobre o surgimento das civilizações. Esses temas mexem muito comigo, adoro conversar sobre eles e procuro sempre ler a respeito, buscando fontes seguras.

Sabemos que a internet é um ambiente rico em conteúdo, porém está repleto de páginas duvidosas e pessoas mal intencionadas. O mínimo que podemos fazer é nos prevenir e desconfiar, desconfiar SEMPRE de quaisquer leituras que fizermos.

Primeiramente, acredito que devemos nos informar a respeito do emissor da mensagem. Quem está dizendo isso? Com base em quê/quem ele afirma tal coisa? Quais as provas concretas de suas afirmativas? Outras pessoas fizeram a mesma alegação? Posso confiar nessas pessoas? Mesmo que seja uma informação nunca antes ouvida, ela faz sentido? 

A partir desses questionamentos, podemos ficar mais preparados para receber alguma notícia, principalmente se ela for muito inovadora, pioneira. Mesmo com o nível de desconfiômetro bem apurado, procuro não fechar minha mente para novos conceitos, ainda que eles possam atingir em cheio as minhas crenças. O crivo da dúvida é a minha bandeira, analiso tudo muito detalhadamente e não aceito ser uma ouvinte passiva, faço minhas próprias pesquisas. Entretanto, esse nível de vigilância não é absoluto, existem diversos emissores confiáveis, fontes seguras que me fazem descansar quanto ao que leio/escuto.


Sempre tive imensa admiração pelo médium Chico Xavier e estabeleci como meta ler suas principais obras psicografadas com o ditado dos Espíritos Emmanuel e André Luiz. Depois de ter alcançado uma certa maturidade na minha caminhada enquanto espírita, percebi a importância desses autores no cenário da Doutrina. São obras que trazem grandes elucidações sobre temas de notável relevância, como mediunidade, vidas passadas, exemplos de conduta moral elevada, explicações sobre passagens do Evangelho do Cristo, entre muitos outros. 

Esse grande ser, que esteve encarnado entre nós até o ano de 2002, deixou-nos um legado de mais de 450 livros psicografados, cujos valores arrecadados com as vendas foram integralmente revertidos em doações para instituições de caridade. Ele afirmava que era apenas um instrumento através do qual os escritores (já desencarnados) podiam publicar suas obras, seria antiético cobrar por esses livros - "dai de graça o que de graça recebestes". 

Considero que Chico Xavier seja uma fonte mais do que segura para leituras, sua conduta exemplar não deixa margens para dúvidas. O que quer que digam contra ele cai por terra com um olhar mais detido. Contra fatos não há argumentos e Chico, muito além de um médium com faculdades estrondosas, apresentava um coração generoso, sempre disposto a socorrer a todos que o procuravam. 

Antes, eu me deixava abater quando percebia que alguns não compreendiam e criticavam o trabalho do nosso querido Chico. Hoje, faço diferente: analiso quem está proferindo as críticas e, em 100% das vezes, constato que são pessoas ainda tão restritas em seus casulos mentais que não vale o esforço de um debate. 

Eu sei que não devemos criticar uma pessoa se não somos capazes de fazer melhor do que ela. Chico fez mais pelo povo brasileiro do que a maioria de nós jamais pensou em conseguir fazer. É por isso que nem sei o que pensar quando recordo um convite que fiz para que um amigo fosse ao cinema comigo assistir ao filme "Chico Xavier" e a pessoa se negou, dizendo que veria qualquer filme menos aquele. Isso deixou muito claro que o Espiritismo ainda é visto de forma distorcida por nossa sociedade, ainda existem pessoas amedrontadas que creem que ser espírita é sinônimo de "macumbeiro", "pessoa que fala com demônios" etc. 

Embora eu conviva rotineiramente com outros espíritas e quase não enfrente mais nenhum embate de cunho religioso, sinto em mim uma necessidade recorrente de explicar um pouco mais sobre essa Doutrina que me entregou um sentido para a vida, algo que jamais alcancei em outra crença.


Ser espírita, ao meu ver, é ser crítico, estudioso, detentor de uma fé raciocinada (ao contrário de uma fé cega); voltado para o auto-melhoramento, autoconhecimento, o espírita é um ser pensador, questionador, com a mente aberta e o coração cheio de vontade de aprender mais e mais. 

Ser espírita é amar e respeitar o outro. É enxergar que não somos os detentores da verdade, e nem queremos! Ao ser espírita eu entendo que tenho muito a evoluir e essa é a minha maior ocupação. Não quero mudar ninguém, antes a mim mesma. Não quero fazer prosélitos, mas houve um tempo em que já quis e reconheço que foi perda de tempo. 

Hoje eu sei que todas as religiões conduzem (ou deveriam) ao mesmo objetivo, cada qual a seu modo. Todas são válidas, e cada ser é capaz de encontrar aquela com que mais se identifica, inclusive nenhuma delas. A única bandeira que defendemos é que nossa crença não salva ninguém, pois apenas a caridade pode conduzir-nos ao melhor de nós mesmos. 

Um comentário:

M. S... disse...

Escrita genial a sua. Simples, objetiva e sensível ao mesmo tempo. Continua escrevendo sempre e inspirando a gente, tá?